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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Sementes da Solidariedade ( IAPAR).

Sementes da Solidariedade.

O texto que apresento se inspira em uma frase Bíblica: “Quem semeia com generosidade, colherá com fartura”.
De tudo que vi na longa reunião da Escola de Governo desse dia 29 de Setembro de 2009, além do Programa de Bombeiros Comunitarios o que mais me chamou a atenção foi à apresentação do IAPAR (instituto Agronômico do Paraná.)
Fiquei encantado pela idéia do programa Sementes Solidarias. Com o socorro pelo envio de semente a Cuba e Haiti. Quero deixar aqui uma sugestão para o governador. O Governo tem um avião tubo hélice (King Air) em muito bom estado, com boa capacidade de carga, que pode ser ampliada com a retirada de alguns bancos . O IAPAR, depois de alguns estudos preliminares, sobre um estado ou região brasileira, proporia uma visita ao governo do estado ou representantes de região. Se aceita, aquela visita técnica, uma Equipe do IAPAR, já bem treinada nos problemas daquele estado ou região, voaria, no King Air, com as logomarcas do Programa “Sementes da Solidariedade IAPAR, Governo do Paraná” e levaria sementes, informação técnica, caminhos para a comercialização das sementes paranaenses (ou simplesmente como obter doação de sementes) e fariam a divulgação dos outros serviços ofertados pelo instituto, assim como, também, dos Centros de Agro-ecologia, e Colégios Agrícolas Paranaenses que aqui estão disponíveis aos demais brasileiros que preencham os requisitos. Óbvio que essa ajuda técnica de fomento à agricultura de outros estados federados, faria o Paraná cair no ranking relativo da produtividade brasileira ( não no nível de produção interna), mas devemos considerar que somos brasileiros em primeiro lugar, e que o fomento da produção em outros estados, é a melhoria da agricultura da nação brasileira e uma conseqüente diminuição sobre a pressão das produções extensivas em nosso estado, propiciando melhore condições ambientais e incentivo a diversidade da produção das pequenas e médias propriedades, diminuindo a migração interna e inchaço das grandes cidades. Também fiquei impressionado com a visita dos representantes do estado do Amazonas, o que mais uma vez comprava o sucesso da missão e do alcance da TV Educativa do Paraná, que com perseverança criou um novo nicho alternativo de informação e divulgação do estado do Paraná.
Abram os olhos políticos paranaenses e acordem para o alcance político do programa, “Sementes da Solidariedade”, pois quem semear com generosidade colherá com fartura. Semeie Paraná, e colheras com fartura. Se os ventos levam o pólen para a fecundação de muitas espécies vegetais, o nosso Gralha Azul, um campeão agora batizado como o nome de Gralha Azul ( pássaro típico do Paraná responsável pelo dispersão das araucárias), fará o transporte das sementes, dos técnicos instrutores, e das técnicas cultivares dos cientistas e técnicos paranaenses para o bem de todo o Brasil. Mais um programa complementar do Governo do Paraná (PMDB) para a melhoria da Agricultura Familiar do imenso Brasil. É óbvio que sementes do Paraná já fazem sucesso em muitas regiões do país, mas esse programa tem também uma finalidade educativa e publicitária. Educará e divulgará a necessidade de incremento entre os demais entes federados da cooperação solidária no desenvolvimento do Brasil dentro de uma ótica de desenvolvimento do mercado interno e melhoria do nível geral de vida dos brasileiros.
wallacereq@gmail.com

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Matas, analisando questões ambientais difíceis.

Analisando questões ambientais difíceis.

O Governo do Paraná comemora o plantio de 100 milhões de árvores plantadas em matas ciliares.

Isso é pouco, ou isso é muito? Isso antes da mais nada é um recorde mundial, mas é pouco. Vejam vocês. Em Curitiba existe um quartel militar que mede mais ou menos um quilometro quadrado. Ora isso significa um quadrado de 1.000.000 ( um milhão de metros quadrados). Se eu reúno uma tropa, perfilada a distância de um braço estendido, estou colocando um homem em cada metro quadrado, ou seja, naquele quartel seria possível colocar em forma um milhão de soldados. Matas ciliares no seu estado original, provavelmente tenham mais de uma árvore e arbustos, por metro quadrado. Se você esta acompanhando o raciocínio, no tal quartel, eu poderia plantar um milhão de árvores dando a cada uma um metro quadrado. Portanto cem milhões de árvores, assim dispostas cobrem uma área total de cem quilômetros quadrados. Parece muito, mas não é. É uma área três vezes menor do que o município de Curitiba. Proporcionalmente, ela ainda é menor, se considerarmos que o Paraná tem, se não me engano, 199 mil 314 quilometros quadrados e qualquer coisa, ou seja, quase 200.000 quilômetros quadrados, e nós só plantamos 100. Mas isso diz respeito ao plantio nas margens dos rios, fique bem claro. Ou seja, a área do Paraná é duas mil vezes a maior do que a área plantada pelo governo de forma linear nas margens de rios, e se ele tivesse sido disposto como e tal qual nós estamos afirmando. É pouco, mas é um recorde, e não houve na história do estado tal e tamanha experiência. Agora, se multiplico por dois mil, as 100.000.000 de árvores plantadas, teremos 200.000.000.000, ou seja, duzentos bilhões de árvores, que podemos estimar sem precisão serem as existentes num passado remoto . Esse número cresce ainda mais se pensarmos que as árvores teimam em nascer, e os homens teimam em derrubá-las. Na economia ecológica, entre o suposto número de árvores existentes no início da colonização de nosso estado, e o volume existente hoje, nós temos uma grande dívida, pois só repusemos no meio ambiente as espécies econômicas com o fim de lucro, ou industrialização, não nos preocupamos com a qualidade do equilíbrio ecológico e da sobrevida das especies da flora e fauna.

Nesse texto estou sim elogiando o Governo do Estado, mas estou ao mesmo tempo alertando aos paranaenses que há muito, mas muito mesmo para se fazer em termos de proteção dos rios e de plantio racional visando a sutentabilidade ambiental. O proximo governo deverá estar comprometido com esse programa. Assim qualquer repórter que vá fotografar uma margem de rio a descoberto, age de má fé, ou é tolo, ou é cínico.

Parabéns a qualquer paranaense, adulto ou criança que colaborou no Plantio de Mata Ciliar no amado estado do Paraná. Fizemos um benefício às gerações futuras. No entanto, não podemos esquecer, que todo tijolo existente, todo cal e cimento, todo madeirame de telhado, forro, paredes das casas de madeira, caixaria de concreto nas cidades, piso, portas e janelas, foi oriundo das árvores arracadas e transformadas em carvão, para queimar a cerâmica, mover as locomotivas e maquinas de serrarias, ou foram transformadas em taboas, ou vigas e papel. O que nos faltou, foi trocar o verbo arrancar indiscriminadamente, por podar, e o verbo destruir, por restaurar e manejar o ambiente transformado pela ação humana, na justa proprção da sutentabilidade ambiental, da proteção da flora e fauna, dos rios, e da necessária produção de bens.

Wallacereq@Gmail.com.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Defesa Civil da e na Amazônia


Enviado para você por G23 através do Google Reader:


Defesa Ciivil da Amazônia.
via grupog23 de Grupo G23 em 01/09/08


Sistema de Defesa e Preservação Civil da Amazônia.

O Brasil é imenso. Considerado o seu espaço aéreo e territorial, a floresta amazônica e os estados da federação que a formam, saltam aos olhos, apesar dos esforços que vem sendo feitos na sua efetiva ocupação, os problemas que se revelam em área, isolamento, falta de infra-estrutura e impenetrabilidade.
Além de rica em bio-diversidade, madeira, em água doce, princípios ativos úteis a bioquímicos e minerais raros, um documento da Petrobrás titulado “O Petróleo e a Petrobrás” datado de 1980, nos diz e acrescentam as riquezas da Amazônia, o que é de máxima importância para nós brasileiros, que a área, desde o Acre (bacia terciária) até a ilha de Marajó no outro extremo do rio, abriga uma imensa bacia sedimentar, petrolífera, a espera de ser adequadamente explorada. Jazidas de gás, ferro, manganês, cassiterita (estanho) continuam a ser encontradas em profusão e seu absurdo potencial hidroelétrico é de difícil avaliação constituindo um patrimônio invejável. Estima-se hoje, segundo o site do SIVAM, de que, somente em madeira de lei, possuímos 1,7 TRILHÕES de dólares preservados naquela área. Para cientistas da USP, somente os dejetos, folhas e outros resíduos em decomposição poderão produzir álcool, quase em volumes iguais, ou superiores (uma vez que são renováveis) ao que se espera da Amazônia em Petróleo. Mais ainda, avalia-se hoje um patrimônio concreto de mais de 1,6 TRILHÕES de dólares em princípios ativos, úteis para a indústria química e farmacêutica (site do SIVAM 2004). Relatórios do Sindipetro, entregues em Curitiba a uma agencia de publicidade, faz notar, que o Rio Negro, ao contrario do que todos acreditavam, não tem a sua cor escura apenas pela alta presença de “umus” fertilizante, mas sim de óleo, provavelmente do afloramento nas regiões altas da Fronteira da Venezuela, o pais maior produtor de petróleo da América do Sul.
Em conversa com um militar que acaba de voltar, depois de três longos anos na Amazônia, notei que nós sulistas desconhecemos, em essência, as minúcias do problema geral, da sobrevivência, da locomoção, da resistência na permanência das populações, na manutenção da saúde das comunidades, e na fiscalização daquela imensa área. Quadro mais grave é o de sua defesa. Hoje, o exercito discute a “Calha Norte”, com maiores recursos humanos e infra-estrutura para atender a região. Mas ainda assim não é suficiente, afirma o coronel Roberto de Paula Avelino gerente da Calha Norte.
Os problemas se agravam no Amapá e Roraima, ao Norte. E é necessária a intensificação da vigilância física das fronteiras do Peru e Bolívia. Internamente, grandes companhias estrangeiras fazem o que querem, e se apropriam silenciosamente e sistematicamente desse patrimônio brasileiro.
Um soldado treinado em um curso de um ano, não suporta o isolamento da floresta, diz um sargento, mais do que dois meses. E, segundo o militar, nenhum programa de preservação, fiscalização e ocupação far-se-á sem a colaboração e o engajamento dos nativos. Mesmo as tropas militares só se desenvolvem adequadamente quando os recrutas nasceram e se criaram na região. Caso contrario, diz o militar, o rendimento dos batalhões cai muito. (ver curiosidades no site “Farol”, a presença militar na Amazônia Legal”)
Digamos que isso é uma primeira condição se não necessária ao menos é ideal. Ou seja, que um programa civil, auxiliar da preservação e defesa da Amazônia Legal se suporte, em primeiro lugar, nos nativos da região. Seja, na promoção técnica e cultural dos nativos, no cuidado primário de sua saúde, no fomento à fertilidade destas populações, (aumento demográfico) onde estará a base ideal do sistema de ocupação efetiva do território.
Uma segunda condição, aparentemente ditada pelas atuais circunstâncias político ideológicas, é o como, a maneira de percorrer a sua imensa área para preservá-la ou fiscaliza-la a fim de protegê-la? Pergunto? Satélites desde o espaço? O SIVAM? O antigo RADAM? Aumento dos postos militares avançados existentes nas longínquas fronteiras (Calha Norte)? Caças velozes capazes de interceptar aviões? A presença mais densa da Marinha nos Rios? Hovercraft velozes? Incremento da Policia Federal naquela área? Tudo isso existe e em andamento.
O que estamos propondo, é algo diferente, algo que envolva definitivamente e diretamente a comunidade e a juventude na responsabilidade pelo patrimônio Amazônico. É uma Patrulha Aérea Civil semelhante à existente e operante nos EUA, (ver na Internet: Civil Air Patrol. Gov.) que seja a uma só tempo formadora, integradora, educadora dos nativos da floresta, promotora humana e instrumento eficiente e auxiliar da fiscalização e da defesa da Amazônia Legal. Uma força auxiliar ao exercito, à aeronáutica e a marinha, e também aos institutos de pesquisa e preservação existentes na Amazônia, assim como auxilio aos outros órgãos oficiais que desenvolvam ações paralelas. Limitada, é obvio, a ação à capacidade operacional da Patrulha.
Os rios são as vias naturais que integram a região, mas não penetram em profundidade as florestas. As populações são via de regra ribeirinhas. As rodovias, quase inexistentes, apesar do esforço hercúleo da Transamazônica, também não se adequam à missão de fiscalização e defesa, e são, agora, de dificílima conservação. Sobra-nos o ar, o espaço aéreo, que ao que tudo indica é o meio mais adequado para se percorrer rapidamente, fiscalizar, identificar áreas, fotografar, mapear, socorrer ou localizar, dar combate ao fogo, enfim, informar sobre o desmatamento, incêndios, contrabando, presença de grupos armados e aeronaves estrangeiras, mineração ilegal, instalações e pistas de pouso clandestinas, barcos, serrarias flutuantes, etc., etc. e tal. Melhor seria um aparelho como um hidroavião, ou avião de treinamento e de uso misto, terra-água. Digo avião, porque são muito mais econômicos que helicópteros. Aviões movidos a álcool se possível. Helicópteros não pode ser a base operacional do sistema por serem muito caros no preço unitário e caros na manutenção. Zepelins surgem como opção.
Mas tudo que voa, precisa de lugar para pouso e decolagem e uma mínima infra-estrutura na água ou na terra. Sabemos pela imprensa que o exercito vem dinamitando pistas clandestinas, que, pelo contrario poderiam servir, assistida pelo exército e civis, como base de pouso e decolagem da Patrulha Civil.
Ora, todos sabem que existe o SIVAM, controle e vigilância eletrônica da área, também sabemos que existem aviões de caça preparados para agir na área; helicópteros de diversas procedências (civis e militares) e finalmente, sabemos também que a FAB e o CAM (Correio Aéreo Nacional) cobrem partes da área territorial da Amazônia, ofertando transporte, e muitas vezes, até mesmo o necessário socorro médico, mas que não cobrem, e nem registram, em termos de pequenos eventos que ocorrem ou ocorram em tempo real nas entranhas das florestas, algo que se aproxime em torno de 10% do território da Amazônia Legal. Aqui surge a necessidade de um esquema civil. Dado ao tamanho da área, barcos, veículos e aviões, militares e civis, procuram defender uma área que todos sabemos absolutamente despovoada e inóspita.
Para se ter uma idéia real do problema, a partir do mapeamento que acabo de fazer das pistas registradas e existentes, ocorrem áreas em que um avião a jato (900 km/h), levantando vôo, poderá sobrevoar em direção dos quatro pontos cardeais e voar, mais de hora e meia, sem sobrevoar o mínimo indicio de presença humana. Isso é o mesmo que atravessar o estado do Paraná sem ver ninguém. Sentem a dificuldade?
Então o que eu proponho? Eu proponho, a criação pelo governo federal em parceria com os governos estaduais, de um rosário de pistas de pouso, estrategicamente dispostas na região, servindo de bases da Patrulha Aérea Civil (e também o aproveitamento dos aéreos clubes já existentes, hoje o DAC - Departamento de Aviação Civil - nos informa que existem apenas sete naquela imensa área) de modo que alunos, nativos em primeiro lugar, recrutados pelas juntas de serviço militar, voem aviões baratos e econômicos, nacionais se possível, gratuitamente (sem pagar a hora de vôo), abastecidos com gasolina ou álcool, subsidiado, ou gerado na floresta, e servidos por instrutores militares e civis, desde que aprendam, cuidem e fiscalizem, e façam relatórios, tomem fotos digitais de fatos dignos de fiscalização, como por exemplo, desmatamento, incêndios, forme uma rede de rádio telefonia de base aérea, e informem, ao comando aéreo militar e a comunidade engajada, sistematicamente, e a ABIM, ao SIVAM, ou outro órgão oficial de interesse, sempre obedecendo aos planos de vôo que cubram metódica e sistemicamente a imensa área amazônica como se fora uma colcha de retalhos.
Imagino Bases da Patrulha Aérea Civil, nos rios, lagos e nas florestas, equipados com aviões identificados por “transponders” especiais. Bases onde existam dormitórios e classes de aula, preparando homens e mulheres, na sua cidadania mais perfeita e responsável, no seu amor à pátria, no ambientalismo racional, na sociologia própria, nos rudimentos das ciências físicas, nas técnicas de sobrevivência, nos rudimentos da medicina, da economia sustentável, do direito internacional, na solidariedade para com as populações isoladas, no heroísmo e nacionalismo extremados, e no domínio proficiente das aeronaves.
Todos sabem que o Brasil, é um imenso mercado para a aviação de pequeno (incluindo a agrícola) e de grande porte, portanto precisamos de pilotos, de militares da reserva (o “breve de piloto” é equivalente ao militar de reserva de primeira classe), de jovens preparados, conscientes e pró-ativos.
É naquela população, embrenhada na selva, necessitada do auxilio dos aviões, seja para o abastecimento energético ou alimentar, para o socorro à saúde, para o transporte, para a comunicação, para o socorro de comunidades e para o adequado desenvolvimento, preservação e defesa da soberania brasileira na Amazônia que encontraremos o suporte ideal da Patrulha.
E nós brasileiros precisamos, enquanto nação, do território da Amazônia Livre de Intervenção Estrangeira. Esse é um projeto absolutamente econômico em sua relação custo beneficio para a nação brasileira. Esse é um projeto verdadeiramente nacionalista.

Wallace Requião de Mello e Silva.
Texto & pesquisa.

OBS: O autor é Psicólogo, articulista em jornais paranaenses, pesquisador do PMDB, e possui treinamento técnico na área da Aviação Civil.

Não se iluda.

Transgênicos
via grupog23 de Grupo G23 em 29/08/08

O G 23 apreciou e disponibiliza.
ARGUMENTOS CIENTÍFICOS CONTRA OS TRANSGÊNICOSDr. Geraldo Deffune G. de OliveiraEng° Agr° (USP); M.Sc. & Ph.D. (Univ. of London)geraldo.deffune@uniube.brO tema da Clonagem e Engenharia Genética é importante tanto por seu valor biológico intrínseco, como pela atual polêmica sobre manipulação genética e patenteamento de seres vivos. Os métodos de melhoramento tradicionais usando sementes, reprodutores, matrizes e clones sempre constituíram uma forma de manipulação genética e a transferência natural de material genético por via microbiana é um fenômeno que ocorre desde as formas mais elementares de vida. Todavia, nesses casos os processos são evolutivamente limitados e adaptativamente direcionados pela seleção natural, ao contrário dos métodos imediatistas e critérios seletivos artificiais e comerciais da Engenharia Genética, como será discutido em detalhe a seguir.É muito importante distinguir a transgenia de ocorrência natural, dos transgênicos artificiais ou comerciais. A mutação e a transferência naturais de material genético são parte do processo evolutivo que no contexto da Natureza permitem a interação simbiótica constante e a seleção natural. Mutações que podem ser induzidas por fenômenos naturais e transferências de material genético entre ou por micróbios e vírus, ocorrem continuamente desde o princípio da evolução biológica. Lynn Margulis qualifica a transgenia de ‘o primeiro sexo do mundo’, pois foi a primeira forma de troca de material genético que ocorreu e ainda ocorre entre as bactérias, que de outra forma se multiplicam por divisões sem intercâmbios. E cada vez que micróbios ou vírus interagem entre si ou com outros organismos (em simbioses ou infecções), ocorre uma troca de genes que alimenta o processo evolutivo (Margulis e Sagan, 2002). Este fato é fundamental para a correta interpretação do significado das chamadas "pragas e doenças".A Engenharia Genética ou Biologia Molecular se auto-atribuíram e apropriaram do termo Biotecnologia para usar um nome atraente que disfarça sua profunda artificialidade tecnocrática. Os Métodos Orgânicos ou Biológicos constituem Biotecnologias num sentido muito mais amplo, justo e preciso no que se refere à vida e natureza. A indução de mutações e a transgenia artificial são proibidas na Agricultura Orgânica em geral, porque não servem á evolução adaptativa, nem se sujeitam à seleção natural, mas sim obedecem a critérios e objetivos humanos e sobretudo econômicos, ligados a patentes e à concentração de poder.Um exemplo clássico é a incorporação artificial de genes para resistência a herbicidas, que leva a uma maior exposição do solo a fatores de erosão, poluição de alimentos e do ambiente, pelo simples objetivo de controlar os mercados de sementes e agroquímicos, explorando o comodismo de empresários agrícolas que só se preocupam em minimizar custos operacionais.Outro aspecto negativo da transgenia artificial é o de que, selecionando rapidamente células transformadas apenas para um (ou muito poucos) caracteres de interesse específico – e.g.; resistência a um herbicida ou bloqueio do processo de maturação, como no caso do "tomate longa-vida" – não se considera nem se pode prever adequadamente o impacto negativo por meio de correlações de expressão gênica (e.g.; genes polímeros, modificadores e poligenes; Vencovsky, 1969) em outros caracteres como:- Perda de qualidades desejáveis – nutritivas, de sanidade e/ou adaptabilidade aos agroecossistemas.- Alterações negativas no metabolismo - e.g.; produção de metabólitos secundários, acumulação compostos ou substâncias potencialmente tóxicas ou carcinogênicas.Embora os efeitos de correlações gênicas também ocorram nos métodos de melhoramento tradicionais, a lentidão adequada destes aos ritmos naturais e ciclos reprodutivos permite que a seleção natural ou humana identifique e/ou elimine as transformações indesejáveis a tempo. Na Engenharia Genética, a rapidez das transformações e da difusão dos organismos geneticamente transformados (OGMs) oferece prazos demasiado curtos para a prevenção de possíveis danos à saúde do consumidor ou do ambiente. Exemplo disso é a disseminação aleatória de genes artificialmente introduzidos em plantas via pólen transgênico que pode prejudicar insetos úteis ou levar características de maior resistência ou virulência a plantas e micróbios silvestres potencialmente daninhos.Por outro lado, os próprios mecanismos de indução artificial de mutações e transferência de genes se baseiam na seleção de células transformadas pela aplicação de radiações ou de antibióticos de amplo espectro, que podem facilmente ser transferidos a outros organismos por processos naturais (e.g.; micróbios simbióticos do trato digestivo, pólen), com prováveis conseqüências deletérias (Mantell et al., 1985).Do ponto de vista agroecológico, o grande dano que a difusão de transgênicos traz para a biodiversidade é que, de forma semelhante aos híbridos - mas com potencial daninho muito superior, é o abandono pelos agricultores e instituições, das variedades, cultivares, raças e ecotipos tradicionais regionalmente adaptados por séculos de seleção, cujos genes, clones e sementes já foram em muitos casos estrategicamente patenteados ou colecionados nos bancos de germoplasma das mesmas empresas transnacionais proprietárias de transgênicos (Mooney, 1987; Koechlin et al., 2003). Um exemplo extremo desses objetivos monopolistas é o gene terminator que promove a produção de sementes estéreis tornando obrigatória a dependência do agricultor pela compra de sementes. A disseminação aleatória de genes do tipo terminator constitui a maior ameaça potencial à biodiversidade jamais provocada pelo homem.Finalmente, o aspecto socioeconômico extremamente negativo dos transgênicos comerciais é o patenteamento de cultivares e raças nativas regionais, que na verdade são cultígenes selecionados por gerações de agricultores tradicionais e constituem patrimônio e propriedade genética e intelectual dessas populações rurais, não estando portanto sujeitos aos critérios e patentes aplicáveis a invenções e descobertas científicas de propriedade privada autêntica.Os transgênicos são predominantemente dependentes de, e direcionados para tecnologias capital-intensivas (adubos químicos, agrotóxicos, mecanização pesada e processamento industrial de grande escala) que interessam principalmente aos grandes conglomerados econômicos em detrimento das reais necessidades dos consumidores, dos agricultores e do ambiente (Mooney, 1987; Alvarez et al., 1998).Ao contrário dos processos por propriedade intelectual movidos pela empresas de biotecnologia contra agricultores cujas lavouras acusem presença genes patenteados, os agricultores orgânicos e todos os que não desejam os transgênicos é que devem buscar instrumentos legais de defesa e indenização pela contaminação com pólen ou qualquer outra fonte aleatória de disseminação de OGMs.Com relação ao Brasil, mais especificamente à nossa atual posição altamente competitiva de exportadores de produtos orgânicos, de soja e carnes livres de transgênicos, liberar o plantio e comércio de OGMs será ceder nossa vantagem a nossos competidores - especialmente os norte-americanos, fazendo um grande dano não só aos exportadores, mas também aos agricultores familiares, consumidores e ao programa governamental que se propõe a resolver o problema da fome e desemprego por meio da participação popular e de tecnologias socialmente justas e éticas.
Referências:Altieri, M. A. (2002) Agroecologia - bases científicas para uma agricultura sustentável. Editora Leal, 592 p.Alvarez, N.; Baumann, M.; Hobbelink, H.; Martinez, A.R. and Vellvé, R. (1998a) "Patentes, 'libre' comercio y negociaciones internacionales". In Biodiversidad, Sustento y Culturas nº 17. REDES-AT & GRAIN - Genetic Resources Action International, Montevideo & Barcelona (http://www.grain.org); pp. 13-19.Alvarez, N.; Baumann, M.; Hobbelink, H.; Martinez, A.R. and Vellvé, R. (1998b) "La biotecnología saquea los arrozales". In Biodiversidad, Sustento y Culturas nº 17. REDES-AT & GRAIN - Gen. Res. Action Int., Montevideo & Barcelona (http://www.grain.org); pp. 1-9.Koechlin, F. et al. (2003) Engenharia Genética versus Agricultura Orgânica. Livreto da IFOAM, ABD e IBD, tradução de João Carlos Ávila, 17 p., http://www.ibd.com.br/arquivos/public/engenhariagenetica.pdf, acesso em 08/09/2003.Mantell, S.H.; Matthews, J.A.; McKee, R.A. (1985) Principles of Plant Biotechnology: An Introduction to Genetic Engineering in Plants. Blackwell Science Inc.; 350 p.Margulis, L. e Sagan, D. (2002a) O Que é Vida? Editora Jorge Zahar. 292 p.Margulis, L. e Sagan, D. (2002b) O Que é Sexo? Editora Jorge Zahar. 220 p.Mooney, P.R. (1987) O Escândalo das Sementes: o domínio na produção de alimentos. Trad. e prefácio de Adilson D. Paschoal. Ed. Nobel, 146 p.Vencovsky, R. (1969) "Genética Quantitativa". In Melhoramento e Genética (W. E. Kerr, org.), EDUSP, pp. 17-38.



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quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Quando a Bung "mandava" no Ministro da Agricultura.

Perfil do Ministro Roberto Rodrigues


Nascido a 12 de agosto de 1942, em Cordeirópolis (SP). É engenheiro agrônomo, formado pela ESALQ-USP em 1965, e tem cursos de aperfeiçoamento em Administração Rural.
Academia – Professor licenciado do Departamento de Economia Rural da UNESP-Jaboticabal. Foi membro do Conselho Estadual de Ciências e Tecnologia de São Paulo (Concite). Participa do Conselho do Centro de Integração Empresa Escola (CIEE), do Conselho Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), do Conselho de Administração da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV) e da Fundação Bunge. Foi do Conselho Assessor da Embrapa, do International Food and Agribusiness Management Association (Iama), do World Wide Fund for Nature (WWF), do Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial, da USP (Pensa) e do Fórum do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI).
Tem centenas de trabalhos publicados sobre agricultura, cooperativismo e economia rural. É autor de três livros e co-autor de diversos outros. É doutor Honoris Causa pela UNESP e professor honorário da Universidade de Belgorod (Rússia). Recebeu a medalha de Mérito Científico e Tecnológico do Governo do Estado de São Paulo (2001) e a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico do Governo Federal (2002).
Agricultura – É empresário rural em São Paulo (Guariba) e no Maranhão (Balsas). Foi presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), membro do Comitê Empresarial de Comércio Exterior do Itamaraty, além de participar de vários conselhos ligados ao agronegócio no Brasil, como o Conselho Nacional do Agronegócio do Ministério da Agricultura (Consagro). Foi presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) e membro de conselhos de entidades da área, como a Associação Brasileira de Criadores (ABC), Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável e Associação Brasileira de Milho e Sorgo. Representou a agricultura em importantes conselhos nacionais, como o Conselho Monetário Nacional (CMN), Conselho Nacional de Política Agrícola (CNPA), Conselho Nacional de Comércio Exterior (Concex), Conselho Empresarial de Competitividade (CEC). Foi Secretário de Agricultura e do Abastecimento do Estado de São Paulo e coordenou o setor privado no Fórum Nacional da Agricultura. É membro eleito do Fórum de Líderes Nacionais e do Fórum de Líderes Mercosul da Gazeta Mercantil. É vice-presidente do Conselho de Empresários da América Latina (CEAL). Como agricultor tem muitos prêmios na área ambiental, social, de conservação do solo e de produtividade. É diretor da Ceres Consultoria S/C Ltda. e Conselheiro da Prospectiva Consultoria Brasileira de Assuntos Internacionais, ambas consultorias do agronegócio.
Cooperativismo – Foi dirigente de cooperativas agrícolas e de crédito rural, com abrangência local (Guariba), regional (Campinas), estadual (São Paulo) e nacional. Foi presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) por dois mandatos (1985/1991). Foi primeiro-vice-presidente da Organização das Cooperativas da América (OCA), presidente da Organização Internacional de Cooperativas Agrícolas da ACI e presidente do Conselho Continental para as Américas da ACI. Foi presidente da Aliança Cooperativa Internacional (ACI) entre 1997 e 2001. A ACI é uma organização centenária, que congrega 800 milhões de filiados em todo o mundo por meio de 250 organizações nacionais de cooperativas, além de representar uma centena de países. Foi Presidente do Comitê para o Progresso e Avanço de Cooperativas (Copac) entre 2000 e 2001. A Copac é um organismo internacional composto pela Organização das Nações Unidas (ONU), FAO, OIT, ACI, Federação Internacional de Produtores Agrícolas (FIPA) e Organização Mundial de Cooperativas de Crédito(WOCCU). Visitou 79 países em todos os continentes do mundo.
Condecorações - Entre suas inúmeras condecorações está a Grande Oficial da Ordem do Rio Branco e Cavaleiro de Mérito Agrícola do Governo da França. Recebeu ainda a Medalha "Albin Johansson", do cooperativismo sueco, por seu trabalho em favor da Democracia e da Paz no mundo todo. Recebeu condecorações de cooperativismo dos governos estaduais de São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso, Maranhão e dos sistemas cooperativos da América, do Brasil, de vários estados brasileiros e de muitos países dos diversos continentes. Foi eleito "Engenheiro Agrônomo do Ano" em 1987 em São Paulo e recebeu medalhas da CONFAEAB, do CONFEA e do CREA por sua atividade profissional. Foi, por 16 anos consecutivos, eleito Líder Empresarial Agrícola, segundo a votação feita pelo jornal Gazeta Mercantil. Foi paraninfo de formandos de agronomia, zootecnia, veterinária e engenharia rural dezenas de vezes em inúmeras faculdades do país.

Transgênicos não são apenas OGMs

Por: Olimpio Araujo Junior*
A providencial confusão sobre o que realmente são transgênicos e o que os diferem do melhoramento genético tradicional acaba “convencendo” a opinião pública e até altas autoridades, de que não há perigo no uso deste tipo de biotecnologia. E os riscos reais, apesar de irreversíveis, são menosprezados.
Todos os organismos vivos são constituídos por conjuntos de genes. As diferentes composições destes conjuntos determinam as características de cada organismo. Essa composição é chamada de genoma e é formada por genes. O que faz um animal ser diferente de uma fruta ou de um ser humano é o genoma que possui. Entre indivíduos da mesma espécie, existe variedade genética, fundamental para a viabilidade da própria espécie já que resulta em indivíduos diferentes entre si, com capacidades distintas de adaptação ao meio. Porém, indivíduos da mesma espécie têm genomas iguais.
Os Transgênicos, ou OGM-T (Organismo Geneticamente Modificado Transgênico), são plantas criadas em laboratório com técnicas da Engenharia Genética, que consistem na transferência de um gene responsável por determinada característica num organismo para outro organismo, manipulando sua estrutura natural, modificando seu genoma. Não há limite para esta técnica. É possível criar combinações nunca imaginadas entre animais, plantas e bactérias.
Os defensores dos transgênicos afirmam que a humanidade vem consumindo alimentos obtidos de organismos geneticamente modificados sem que eles tenham causado algum dano à saúde e, portanto, não haveria razão para ser diferente com os alimentos obtidos de processos transgênicos.
De fato, alimentos são obtidos de organismos geneticamente modificados. Mas estes alimentos foram produzidos por processos naturais, com a transferência de genes apenas entre organismos da mesma espécie, com genomas iguais.
Alimentos obtidos de “organismos geneticamente modificados” e alimentos obtidos de “organismos geneticamente modificados transgênicos” não são a mesma coisa. Um gene transferido a outro organismo pode resultar numa manifestação de características com resultados imprevisíveis, diferentes das reações esperadas. Eles podem aumentar a resistência a antibióticos, podem causar alergias, podem contaminar plantações vizinhas, podem romper o equilíbrio entre insetos-praga e seus predadores. Mas o pior risco está na irreversibilidade: uma vez liberados na natureza, não é mais possível restabelecer o equilíbrio ambiental, porque não se pode controlar os processos de transgênese espontânea, que porventura venham a ocorrer, e é impossível retirar da natureza os genes que foram artificialmente introduzidos numa planta, externamente igual às variedades da mesma espécie, não transgênicas.
Recentemente foi demonstrada, em pesquisas de universidades americanas, a possibilidade de transferência espontânea, para plantas silvestres da mesma família ou para insetos, dos genes introduzidos numa variedade cultivada. Por exemplo, os genes introduzidos em espécies cultivadas para torná-las resistentes a herbicidas podem transferir-se espontaneamente para plantas silvestres com risco de torná-las superervas daninhas, de difícil controle. Em culturas como milho e algodão, foram introduzidos genes retirados da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), usada como inseticida biológico contra lagartas. Ocorre que os genes transferidos causaram o efeito inverso, aumentando a resistência de mariposas à Bt. E as lagartas destas mariposas passaram a atacar tanto as culturas de milho e algodão, como várias outras e, inclusive, algumas plantas silvestres.
Outro risco para agricultura é que os transgênicos podem afetar a vida microbiana no solo e reforçam a tendência à uniformidade genética na agricultura, com grandes monoculturas, utilizando umas poucas variedades da mesma espécie (o que aumenta a suscetibilidade à mudanças climáticas e surtos de pragas e doenças). Toxinas como a Bt ou os genes de resistência a agrotóxicos podem ser incorporados ao solo junto com resíduos de culturas, afetando invertebrados e/ou microorganismos, que têm importante função na reciclagem de nutrientes para uso das plantas ou podem afetar a capacidade de multiplicação no solo das bactérias responsáveis por retirar nitrogênio do ar e permitir a fertilização natural.
E se os impactos ambientais resultantes do cultivo de transgênicos são irreversíveis, as conseqüências na saúde humana ainda podem ser piores do que somos capazes de imaginar. A natureza é uma grande teia e se o seu equilíbrio for quebrado, sobretudo a este nível – do código genético - as conseqüências afetarão todas as formas de vida, em um grande efeito dominó.
* Olimpio Araujo Junior (olimpioaraujojr@yahoo.com.br) é técnico em agropecuária, geógrafo, mestrando em Redes Virtuais de Informação e Educação Ambiental e consultor ambiental. (http://www.ambientetotal.cjb.net/).

Argumantos ciêntificos contra os trangênicos.

ARGUMENTOS CIENTÍFICOS CONTRA OS TRANSGÊNICOS
Dr. Geraldo Deffune G. de OliveiraEng° Agr° (USP); M.Sc. & Ph.D. (Univ. of London)geraldo.deffune@uniube.brO tema da Clonagem e Engenharia Genética é importante tanto por seu valor biológico intrínseco, como pela atual polêmica sobre manipulação genética e patenteamento de seres vivos. Os métodos de melhoramento tradicionais usando sementes, reprodutores, matrizes e clones sempre constituíram uma forma de manipulação genética e a transferência natural de material genético por via microbiana é um fenômeno que ocorre desde as formas mais elementares de vida. Todavia, nesses casos os processos são evolutivamente limitados e adaptativamente direcionados pela seleção natural, ao contrário dos métodos imediatistas e critérios seletivos artificiais e comerciais da Engenharia Genética, como será discutido em detalhe a seguir.É muito importante distinguir a transgenia de ocorrência natural, dos transgênicos artificiais ou comerciais. A mutação e a transferência naturais de material genético são parte do processo evolutivo que no contexto da Natureza permitem a interação simbiótica constante e a seleção natural. Mutações que podem ser induzidas por fenômenos naturais e transferências de material genético entre ou por micróbios e vírus, ocorrem continuamente desde o princípio da evolução biológica. Lynn Margulis qualifica a transgenia de ‘o primeiro sexo do mundo’, pois foi a primeira forma de troca de material genético que ocorreu e ainda ocorre entre as bactérias, que de outra forma se multiplicam por divisões sem intercâmbios. E cada vez que micróbios ou vírus interagem entre si ou com outros organismos (em simbioses ou infecções), ocorre uma troca de genes que alimenta o processo evolutivo (Margulis e Sagan, 2002). Este fato é fundamental para a correta interpretação do significado das chamadas "pragas e doenças".A Engenharia Genética ou Biologia Molecular se auto-atribuíram e apropriaram do termo Biotecnologia para usar um nome atraente que disfarça sua profunda artificialidade tecnocrática. Os Métodos Orgânicos ou Biológicos constituem Biotecnologias num sentido muito mais amplo, justo e preciso no que se refere à vida e natureza. A indução de mutações e a transgenia artificial são proibidas na Agricultura Orgânica em geral, porque não servem á evolução adaptativa, nem se sujeitam à seleção natural, mas sim obedecem a critérios e objetivos humanos e sobretudo econômicos, ligados a patentes e à concentração de poder.Um exemplo clássico é a incorporação artificial de genes para resistência a herbicidas, que leva a uma maior exposição do solo a fatores de erosão, poluição de alimentos e do ambiente, pelo simples objetivo de controlar os mercados de sementes e agroquímicos, explorando o comodismo de empresários agrícolas que só se preocupam em minimizar custos operacionais.Outro aspecto negativo da transgenia artificial é o de que, selecionando rapidamente células transformadas apenas para um (ou muito poucos) caracteres de interesse específico – e.g.; resistência a um herbicida ou bloqueio do processo de maturação, como no caso do "tomate longa-vida" – não se considera nem se pode prever adequadamente o impacto negativo por meio de correlações de expressão gênica (e.g.; genes polímeros, modificadores e poligenes; Vencovsky, 1969) em outros caracteres como:- Perda de qualidades desejáveis – nutritivas, de sanidade e/ou adaptabilidade aos agroecossistemas.- Alterações negativas no metabolismo - e.g.; produção de metabólitos secundários, acumulação compostos ou substâncias potencialmente tóxicas ou carcinogênicas.Embora os efeitos de correlações gênicas também ocorram nos métodos de melhoramento tradicionais, a lentidão adequada destes aos ritmos naturais e ciclos reprodutivos permite que a seleção natural ou humana identifique e/ou elimine as transformações indesejáveis a tempo. Na Engenharia Genética, a rapidez das transformações e da difusão dos organismos geneticamente transformados (OGMs) oferece prazos demasiado curtos para a prevenção de possíveis danos à saúde do consumidor ou do ambiente. Exemplo disso é a disseminação aleatória de genes artificialmente introduzidos em plantas via pólen transgênico que pode prejudicar insetos úteis ou levar características de maior resistência ou virulência a plantas e micróbios silvestres potencialmente daninhos.Por outro lado, os próprios mecanismos de indução artificial de mutações e transferência de genes se baseiam na seleção de células transformadas pela aplicação de radiações ou de antibióticos de amplo espectro, que podem facilmente ser transferidos a outros organismos por processos naturais (e.g.; micróbios simbióticos do trato digestivo, pólen), com prováveis conseqüências deletérias (Mantell et al., 1985).Do ponto de vista agroecológico, o grande dano que a difusão de transgênicos traz para a biodiversidade é que, de forma semelhante aos híbridos - mas com potencial daninho muito superior, é o abandono pelos agricultores e instituições, das variedades, cultivares, raças e ecotipos tradicionais regionalmente adaptados por séculos de seleção, cujos genes, clones e sementes já foram em muitos casos estrategicamente patenteados ou colecionados nos bancos de germoplasma das mesmas empresas transnacionais proprietárias de transgênicos (Mooney, 1987; Koechlin et al., 2003). Um exemplo extremo desses objetivos monopolistas é o gene terminator que promove a produção de sementes estéreis tornando obrigatória a dependência do agricultor pela compra de sementes. A disseminação aleatória de genes do tipo terminator constitui a maior ameaça potencial à biodiversidade jamais provocada pelo homem.Finalmente, o aspecto socioeconômico extremamente negativo dos transgênicos comerciais é o patenteamento de cultivares e raças nativas regionais, que na verdade são cultígenes selecionados por gerações de agricultores tradicionais e constituem patrimônio e propriedade genética e intelectual dessas populações rurais, não estando portanto sujeitos aos critérios e patentes aplicáveis a invenções e descobertas científicas de propriedade privada autêntica.Os transgênicos são predominantemente dependentes de, e direcionados para tecnologias capital-intensivas (adubos químicos, agrotóxicos, mecanização pesada e processamento industrial de grande escala) que interessam principalmente aos grandes conglomerados econômicos em detrimento das reais necessidades dos consumidores, dos agricultores e do ambiente (Mooney, 1987; Alvarez et al., 1998).Ao contrário dos processos por propriedade intelectual movidos pela empresas de biotecnologia contra agricultores cujas lavouras acusem presença genes patenteados, os agricultores orgânicos e todos os que não desejam os transgênicos é que devem buscar instrumentos legais de defesa e indenização pela contaminação com pólen ou qualquer outra fonte aleatória de disseminação de OGMs.Com relação ao Brasil, mais especificamente à nossa atual posição altamente competitiva de exportadores de produtos orgânicos, de soja e carnes livres de transgênicos, liberar o plantio e comércio de OGMs será ceder nossa vantagem a nossos competidores - especialmente os norte-americanos, fazendo um grande dano não só aos exportadores, mas também aos agricultores familiares, consumidores e ao programa governamental que se propõe a resolver o problema da fome e desemprego por meio da participação popular e de tecnologias socialmente justas e éticas.Referências:Altieri, M. A. (2002) Agroecologia - bases científicas para uma agricultura sustentável. Editora Leal, 592 p.Alvarez, N.; Baumann, M.; Hobbelink, H.; Martinez, A.R. and Vellvé, R. (1998a) "Patentes, 'libre' comercio y negociaciones internacionales". In Biodiversidad, Sustento y Culturas nº 17. REDES-AT & GRAIN - Genetic Resources Action International, Montevideo & Barcelona (http://www.grain.org); pp. 13-19.Alvarez, N.; Baumann, M.; Hobbelink, H.; Martinez, A.R. and Vellvé, R. (1998b) "La biotecnología saquea los arrozales". In Biodiversidad, Sustento y Culturas nº 17. REDES-AT & GRAIN - Gen. Res. Action Int., Montevideo & Barcelona (http://www.grain.org); pp. 1-9.Koechlin, F. et al. (2003) Engenharia Genética versus Agricultura Orgânica. Livreto da IFOAM, ABD e IBD, tradução de João Carlos Ávila, 17 p., http://www.ibd.com.br/arquivos/public/engenhariagenetica.pdf, acesso em 08/09/2003.Mantell, S.H.; Matthews, J.A.; McKee, R.A. (1985) Principles of Plant Biotechnology: An Introduction to Genetic Engineering in Plants. Blackwell Science Inc.; 350 p.Margulis, L. e Sagan, D. (2002a) O Que é Vida? Editora Jorge Zahar. 292 p.Margulis, L. e Sagan, D. (2002b) O Que é Sexo? Editora Jorge Zahar. 220 p.Mooney, P.R. (1987) O Escândalo das Sementes: o domínio na produção de alimentos. Trad. e prefácio de Adilson D. Paschoal. Ed. Nobel, 146 p.Vencovsky, R. (1969) "Genética Quantitativa". In Melhoramento e Genética (W. E. Kerr, org.), EDUSP, pp. 17-38.

Tempo, Flora e Fauna

Tempo, movimento, flora e fauna.

Por Wallace Requião de Mello e Silva.

Curiosidade; Jean Baptiste Lamarck (1809) Charles Darwin (1859) e Hugo De Vries (1848/1935), foram, pode-se dizer contemporâneos no século. Lamarck o primeiro a formular a tese evolucionista tendo como suporte três causas principais: o meio ambiente, a hereditariedade e o tempo. Darwin o mais conhecido propôs na sua tese publicada no livro “A Origem das Espécies” o evolucionismo como fruto da seleção natural, onde a luta entre as espécies e o meio, levaria necessariamente a extinção de umas, e permanência de outras forçadas à adaptação anatômica e funcional; e Hugo De Vries, botânico holandês, propôs como tese o mutacionismo. Esta ultima tese foi posteriormente estudada por T. Morgan (1910); Müller e Timofeeff-Ressousky. Eles estudaram com drosóphilas, pequenas moscas que se reproduzem a cada vez com 300 a 500 ovos que amadurecem em 12 dias, e que controladas em laboratório, em três meses podem gerar milhares de indivíduos e gerações propiciando a observação do comportamento genético. Os pesquisadores citados procuraram investigar se tais mosquetas sofriam mutações, formando raças dentro de uma espécie, oriundas, essas mutações, da exposição controlada aos raios X. Contra eles se opõe um capítulo da ciência médica, a teratologia, que procura provar que mutações genéticas não são vantagens; “ganhos” positivos, são, pelo contrario, perdas, deformações, monstruosidades tendentes à correção através das gerações. Na verdade as mutações celulares são falhas na diferenciação celular. Como vemos o tempo, é de máxima importância na observação das mutações, pois as há que se extinguem, e as condições devem ser as da natureza, pois isolados em laboratório, os “mutantes” não sofrem a ação de seus predadores nem das realidades ambientais, o tempo, a genética e o meio cósmico são fundamentais na formulação das teses sobre a vida. Embora, hoje, se conheçam mutações entre os vertebrados; peixes, aves e mamíferos, com perdas ou ganhos aparentes, elas aparecem, todavia sempre dentro de uma espécie especifica de seres vivas, e sempre reguladas, clara e insofismavelmente, pelas leis da genética. No campo da Microbiologia, permanece um mistério ao qual Guyton (1978) em sua “Fisiologia Medica” chama de “diferenciação celular”, ou seja, como é que a partir de uma única célula formada pelos gametas, por exemplo, humanos, pode-se gerar, conduzidos por sutis leis genéticas, tantos tecidos diferenciados, tecidos que geram tecidos, por reprodução assexuada (clonagem simples e esporulação) e “mutações” (na verdade diferenciações funcionais e estruturais controladas geneticamente) e consegue ordena-los anatomicamente, funcional e estruturalmente, definindo seu tempo de vida, tipo e código de reprodução especifica ao nível celular. É uma maravilha. Como um pinhão se transforma em pinheiro? Como a partir de uma semente, os tecidos vão se diferenciando, para formar as raízes, o madeiro, a casca, os galhos dispostos sempre na mesma seqüência e anatomia, o sapê (folhas espinhosas), as pinhas, e novos pinhões que gerarão novos pinheiros. E cada uma dessas células de cada um desses tecidos possui a informação genética de todo o pinheiro. Ë um mistério.
Tudo isso acontece sem a intervenção do homem; portanto, e não podemos esquecer, o homem não é uma criação de si mesmo, o homem não se fez. A vida se desenvolveu, ou surgiu, ou foi criada, sem o auxilio do homem.
Como para todos nós, geralmente aceitamos que o que nos difere de outros seres vivos, é a racionalidade, pois é justamente com esse particular dom (incriado) que nos será possível reconhecer que nos mistérios da vida há uma razão, uma intencionalidade, uma inteligência , uma vontade e uma sabedoria, que supera em muito o entendimento humano. Muito mais, foi essa sabedoria a criadora do homem e do seu entendimento.
Pode-se observar, que tendo o corpo humano, por exemplo 100 quatrilhões de células, ou seja uma verdadeira infinitude de seres vivos, que se alimentam, se reproduzem, se movimentam, e reagem, em ordenada e solidária “sociedade” num amalgama vivo em relação simbiótica constante que nos permite viver como seres e indivíduos, já percebemos que as coisas não se realizam como propuseram Lamarck, Darwin e De Vries, não há no microcosmo de nosso corpo uma luta pela sobrevivência interna, não há um mutacionismo desordenado, não há um “acaso”... Um acidente, na verdade, no caso de nosso corpo, o que vemos, é um profundo conservadorismo da genética, uma organicidade das estruturas histológicas, da anatomia, e das funções.
O século dezenove trouxe à luz outros nomes importantes para a ciência Genética. O Monge Gregor Mendel (1822/1884), o pai da genética, que analisou os fatores dominantes na transmissão genética e os fatores recessivos, estabelecendo pela primeira vez o “beaba” das leis genéticas. As leis de Mendel.
É claro que essas descobertas do século dezenove tiveram precedentes, a descoberta do microscópio e o interesse pelo “microcosmo” em cuja história intervém Galileu, Drebell, Jensen e Divini. Em 1665, Robert Hooke descobre pelo uso do microscópio as células estruturais da cortiça. Ele notou na cortiça minúsculas cavidades as quais chamou células. Mais tarde, observou-se, que essas células eram preenchidas de uma substancia azotada à qual, Nehemia e Marcelo Malpighi chamaram sarcódio, encontradas como se fora uma gelatina nas células vegetais. Assim, entramos no século dezenove: Brown (em 1808) descobre que há movimento nessa geléia (os movimentos brownianos). Purkinje, em 1840, substitui a palavra sarcódio por protoplasma. Em 1838, Schwann e Schleiden propõe a teoria celular e começamos a perceber que todo se vivo, planta ou animal, tem origem em uma célula, dela deriva, ou, em exceção, são produtos originados e elaborados nas células (vírus ou cristais protéicos). Com Hugo Mohl, em 1848, se descobre a natureza azotada do protoplasma. Em 1856, Leydig define a célula: como uma massa de protoplasma provida de núcleo. Em 1857 Virchow formula o famoso axioma : “Ominis cellula e cellula”; significando que toda célula tem origem em outra célula. À conclusão de Virchow, Flemming em 1881 acrescenta: “Ominis nucleus e nucleus”, significando que todo núcleo tem origem em outro núcleo, com o que significa que toda célula provém de outra célula preexistente. Estava assim descoberta a base física da vida conforme nos ensina Huxley (Thomas 1825/1895).
Mas o que é o protoplasma? Huxley nos ensina que é sinônimo dizer protoplasma e ser vivo, como já dissemos acima, ele é “a base física da Vida”. Não existe ser vivo que não seja formado de protoplasma, portanto substancia viva e protoplasma, são termos equivalentes. Encontramos no protoplasma de maneira constante: água, sais, gordura e hidratos de carbono. Mas, suas substâncias típicas, são os protídeos ou compostos albuminóides. Para surpresa dos cientistas uma analise química profunda, decompondo ao extremo o protoplasma nada encontramos nele que não seja encontrado nos corpos sem vida, exceto a própria vida neles encontrada, eis o mistério. O que é a vida? Carbono; hidrogênio; oxigênio; azoto; fósforo; enxofre e uns poucos elementos mais, nos diz Almeida Junior (1973). Esses elementos formam moléculas volumosas dispostas em arranjos especiais. Arranjos, que como a genética, têm leis próprias. Embora, os elementos que entram na composição dos seres vivos, sejam sempre os mesmos, as proporções e a maneira de associação de tal modo diferem que as variantes do protoplasma são praticamente infinitas, cada espécie de ser viva, cada categoria de célula tem o seu protoplasma, diverso de todos os outros, e, o que é mais, em continua atividade química, só interrompida com a morte.
E o núcleo? O núcleo é um corpúsculo inserido na massa citoplasmática (protoplasma). A constituição desse elemento celular é bastante complexa, formado também da massa protoplasmática apresenta os seguintes macro-elementos: A membrana nuclear; a rede de linina; as granulações cromáticas, os nucléolos e o suco nuclear. Para o nosso interesse ressaltamos a linina que é um filamento apresentado como em um rosário grânulos de substancia facilmente corável para observação microscopia conhecida como cromatina. O filamento de linina, com os seus grânulos, se enrolam, constituindo o novelo cromático. O filamento cromático do núcleo é constituído por segmentos ou alças que se unem pela extremidade e a cada um desses filamentos se dá o nome de “Cromossomo”. O cromossomo é, portanto um filamento de linina que como um rosário se constitui de um grande numera de cromômeros, ou melhor, dizendo, centenas de grânulos. Sabe-se hoje que o numero de cromossomos das células é constante em cada espécie, e nisso há uma chave genética, que proíbe a trasgenia inter espécies. Espécies diferentes não se reproduzem. No homem, por exemplo, há 46 cromossomos. Cada cromossomo é diferente dos demais e têm uma individualidade. Isso não impede que nas células eles sejam dispostos aos pares dois a dois, aparentemente iguais. No caso do homem são 23 pares e em cada par os dois elementos se assemelham um ao outro, como se fora uma fechadura, cada um correspondendo ao seu par semelhante. Por ser o caso mais conhecido popularmente, gostaríamos de lembrar que nas células da mulher (todas e qualquer delas) existe um par conhecido como XX, relacionado com a determinação do sexo. Nas células do homem (todas e qualquer delas) existe um par diferente conhecido como XY.
O cromossomo; repitamos, diz Almeida Junior, é um fragmento de rosário minúsculo apresentando muitas centenas de grânulos ou cromômeros cada um. O cromômero tem uma função especial, ao que se supõem cada um deles se relaciona com determinado atributo do organismo: cor dos olhos; dos cabelos; da pele; estatura; propriedades do sangue; caracteres psíquicos; etc e tal. Dos 46 cromossomos existentes na célula chamada “ovo humano”; que é formada pela “fusão” dos gametas; masculino (espermatozóide) e feminino (óvulo), os 23 cromossomos são oriundos da mãe, e os outros 23 do pai, mais precisamente: em cada par de cromossomos, um elemento é de origem paterna, o outro de origem materna. A intervenção, ou alteração resulta em anomalias. Se não for assim, minimamente casável, correspondentes, não haverá a fecundação. Se esse código de paridade não for realizado não há formação da célula ovo. Isso concorre para que espécies diferentes não se fecundem entre si. Como vemos, há uma harmonia entre o núcleo em seu código, assim como com o citoplasma, o que equivale a dizer que há um meio interno ideal e adequado no protoplasma de cada célula para a sua reprodução. Esse equilíbrio misterioso se fez sem a intervenção do homem.
Balbiani pela “merotomia” veio provar que o protoplasma contido na célula (citoplasma) e o núcleo são essenciais à vida da célula. Núcleos, sem citoplasma, e citoplasma, sem núcleo, não podem viver. A morte celular se caracteriza pelo desaparecimento dos movimentos Brownianos, ela não é capaz de crescer, alimentar-se, reproduzir-se ou reagir. Para cada núcleo um protoplasma.
Tempo e movimento nos remetem ao grande Aristóteles. Até hoje não foi possível apreender a essência da vida. Passados tantos anos de pesquisas cientifica ainda não se destronou a definição de vida proposta por Aristóteles. “Vida é automoção ou moção de si mesmo, espontânea e imanente”. A vida é movimento intrínseco ao sujeito que age que tem origem em si mesmo, e que surge espontaneamente.
Na verdade a ciência de hoje, ao analisar a vida das células reduzem suas propriedade biológicas em quatro quesitos: Movimento; sensibilidade (ou reação a “agentes” externos); nutrição e reprodução.
O estudo da reprodução celular, cujos códices (ordenações) se encontram no núcleo, mas parece ter estreita relação também com o protoplasma (meio celular), pois em uma ou outra célula da mesma espécie, a genética e o protoplasma se repetem, e em células de espécies diferentes se diferenciam uma das outras, é que vai nos dar, a presunção e a concepção da intervenção (racional) humana no arcabouço genético dos seres vivos, ao que hoje se chama ao gosto dos arquitetos, engenharia genética.
O melhoramento genético tem suporte bíblico, onde se lê que devemos guardar as melhores sementes para o plantio. Também se percebeu muito precocemente que o cruzamento de indivíduos fortes e saudáveis gerava filhos fortes e saudáveis. Mendel (trabalhando com vegetais) descobre as leis básicas da transmissão genética, e pelo controle dos cruzamentos, provou-se que se podiam gerar gerações inteiras com olhos azuis, por exemplo, sem, no entanto propor a intervenção física nas leis genéticas. Todavia o que estamos assistindo são a intervenção física quebrando tanto os códigos de segurança, como o equilíbrio protoplasmático, quando, experimentalmente interferiu transladando genes de uma espécie para outra, ou de um reino para outro, revolucionando um conjunto de regras que a vida teceu através dos tempos para sua própria sobrevivência e reprodução segura.
Nada me impede de supor que Gregor Mendel, ao contemplar as leis da genética pela primeira vez, sendo ele monge agostiniano, contemplativo das maravilhas de Deus, tenha concluído pelas três atitudes básicas e éticas diante da genética: A humilde contemplação de suas leis (a Ética das Sementes) de onde se podia abstrair o que se pode ou não se pode fazer em termos de ciência genética; a ousadia, como segundo passo, com a intervenção experimental nas leis observadas (transgressão das leis genéticas) o que poderia redundar em anomalias (pois da transgressão da lei natural não poderemos abstrair o Bem); e finalmente, a atitude de presunção, ou seja, de ensinar a vida, e “aperfeiçoá-la”, dizendo a Deus onde e porque ele “errou”.
Se desprezarmos a “Noite dos Tempos”, isso é aquele período conhecido como pré-história, este mundo escuro onde povoam as hipóteses sobre sua origem e aparência, e nos ativermos aos “Tempos Históricos”, isto é, aos tempos relatados pela escrita e após o aparecimento dela, fiando-nos nos relatos históricos, mais ou menos seguros, que cobrem seis mil anos, ou seja, quatro mil anteriores a Cristo e dois mil posteriores, o que veremos?
Veremos o obvio, nesse período, nenhum macaco virou homem, nem um peixe virou elefante, nem um tomate virou laranja, ou laranja virou banana. A genética foi extremadamente conservadora, mantendo o óbvio, cinco dedos nos homens, certo numero médio de pelos, trinta e dois dentes, 46 cromossomos, por exemplo. Ou seja, as leis genéticas, assim como as leis da nutrição, e as leis do “meio” determinaram o que pode e o que não pode acontecer entre seres vivos, pois tanto o envenenamento (quebra das leis nutricionais) como alguns tipos de quebra na reprodução (reprodução entre raças muito próximas umas das outras), resultando em seres híbridos; ou a inadequação total do meio ambiente; levam ou levarão, à morte através do tempo. Sofrerão, e essa é a verdade, o controle tirano do tempo.
A transgenia é uma quebra experimental das leis genéticas. É uma transmigração de genes de espécies diferentes, uma transmigração de genes de reinos diferentes, (animal e vegetal, por exemplo), como nos ensina, por exemplo, o geneticista Aspad Postat (2004), numa ousadia humana sem limites e muito de irresponsável.
Para que você, que me acompanhou pacientemente neste longo texto, melhor entenda, pense que se as chaves de segurança da genética fossem naturalmente abertas, uma índia, no seu período fértil, ao banhar-se em um lago, poderia ser fecundada pelo liquido espermal de um sapo, por exemplo. O que nasceria? Ou se você preferir imagine um campo repleto de arvores frutífero, e flores, ao chegar à época da polinização, um suave vento misturaria em todas as direções os muitos polens, e as laranjeiras cruzariam com as macieiras e essas com os tomateiros, ou flores, ou frutos. Pior se as moscas, as abelhas cruzassem com as plantas, e as plantas com os mamíferos, e os mamíferos com os homens. Ou, ainda pior, os homens com os peixes, e os peixes com os plânctons. A cada temporada essa revolução se repetiria, e já não saberíamos o que éramos, ou o que seríamos. O que deveríamos comer, ou não comer. Transgredir a lei genética ou não transgredir, eis a questão fundamental. É questão moral, teológica na essência.
Lembro-me que alguém, ao tentar um exemplo concreto pediu aos seus ouvintes um copo. Tendo largado o copo de certa altura ele se espatifou no chão. Então esse alguém disse, não é preciso mais que dois neurônicos para fazer isso, destruir. Um gato, um rato, ou um cachorro poderia ter feito. Agora, para restaurar o copo, é preciso mais do que movimento, é preciso inteligência aplicada, ou seja, é muito difícil restaurar. Ë difícil para o homem, e é difícil para a natureza restaurar a condição genética original, só não é difícil para Deus. Romper as barreiras de defesa da genética cujas origens se perdem na “Noite dos Tempos” é mais do que irresponsabilidade, é crime. Crime contra a vida e sua ordem vital. Se os astros no Cosmo furtando-se às leis que os determinam em seus movimentos se chocassem uns aos outros, o que seria? Se os homens hoje nascessem com quatro pernas, amanhã com três, e depois de amanhã com seis, qual indústria de confecções poderá atendê-los? Entendem a relação mutação meio? Alterar as regras genéticas altera uma cadeia harmônica de inter-relações microscópicas da vida para com a vida, e o meio cósmico, e microcósmico, há, para manter a vida, de tornar-se tão velozmente “revolucionários”, que nós perderemos a identidade. Já não seremos a imagem e semelhança de Deus, mas seremos o “produto” imperfeito dos homens atendendo leis de mercado num primeiro momento, e monstros tendentes à morte, num segundo e decisivo momento. A genética tem o tempo como seu grande aliado e incansável e exemplar auxiliar.

Wallace Requião de Mello e Silva.
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