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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Racismo oculto na omissão.

Racismo se esconde na omissão.

Lindo o novo parque Alemão. Uma agradável homenagem feita aos alemães e à sua substancial contribuição à vida de Curitiba, aqui, perfeitamente expressa pela obra do executivo municipal. Lindo o parque ucraniano. Poético o polonês. Simpática a “Praça do Japão”.
No entanto, sempre marcou a minha consciência e escandalizou os meus sentidos a ausência omissa na questão dos negros e mestiços indios na formação étnica e cultural da Cidade de Curitiba.
Folhetos editados pelo poder público, livros sobre o Paraná e Curitiba, manuais fotográficos, comentários sobre a arquitetura, a música e os costumes, dão sempre a impressão que o negro e os índios, foram figuras ausentes na formação de nossa cidade.
Alemães, Italianos, Poloneses e Ucranianos são, por assim dizer, o emblema falso que todas estas publicações usam para definir o povo curitibano. Mais recentemente se acrescentou, via status, o povo Japonês ao “cardápio”, povo que apesar de tardiamente ter emigrado ao Brasil, pois não faz cem anos que aqui estão e já ocupam destaque nas fotos emblemáticas que mostram as tradições e folclores do paranaense e curitibano. Sem desmerecê-los, vejo nisto um pouco de exagero. E negros, onde estavam os negros? O primeiro relato de uma população negra no Paraná é devida a um relato do pioneiro a Cabeza de Vaca na segunda metade dos anos 1500.
Hoje, fazendo uma pesquisa encomendada pelo deputado Maurício Requião ( PMDB) fui encontrar no inventário sobre a cidade de Curitiba, transcrito na obra do professor Ernani Straube, que nos diz, que em 1693, Curitiba possuía uma população de 5.819 pessoas sendo que 4102 eram brancos, 955 mulatos e pardos frutos de miscigenação e 762 negros. Ora, isto significa que, nada mais nada menos que trinta por cento da população curitibana era negra ou mestiça ao momento de sua fundação. Como então podemos desconsiderar este fato? Como podemos omitir nos manuais, folders, livros e guias a presença dos negros na vida de nossa cidade?
Que tipo de sentimento desenvolve tamanha cegueira? Que tipo de ingratidão cívica é responsável pela omissão que faz vistas grossas ao esforço e a contribuição dos negros em nossas vidas? Que nos dirá o IBGE nos dias de hoje? Qual o percentual de negros na população de Curitiba,... e de mestiços? E de mestiços índios?
Sei que no passado o poder público inaugurou a Praça do Zumbi numa tentativa de resgatar um pouco desta cegueira crônica, infelizmente não acho que esta caricatura de “rebeldia reivindicatória” esboce com fidelidade a contribuição negra na vida cultural e no processo civilizatório brasileiro. Basta tirar uma foto dos pontos de ônibus na capital paranaense para ver a presença negra em nossa sociedade.
Sinceramente eu interpreto estas omissões como um racismo velado.

Wallace Requião de Mello e Silva.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Racismo velado.

Racismo se esconde na omissão.

Lindo o novo parque Alemão. Uma agradável homenagem feita aos alemães e à sua substancial contribuição à vida de Curitiba, aqui, perfeitamente expressa pela obra do executivo municipal. Lindo o parque ucraniano. Poético o polonês. Simpática a “Praça do Japão”.
No entanto, sempre marcou a minha consciência e escandalizou os meus sentidos a ausência omissa na questão dos negros e mestiços na formação étnica e cultural da Cidade de Curitiba.
Folhetos editados pelo poder público, livros sobre o Paraná e Curitiba, manuais fotográficos, comentários sobre a arquitetura, a música e os costumes, dão sempre a impressão que o negro foi uma figura ausente na formação de nossa cidade.
Alemães, Italianos, Poloneses e Ucranianos são, por assim dizer, o emblema falso que todas estas publicações usam para definir o povo curitibano. Mais recentemente se acrescentou, via status, o povo Japonês ao “cardápio”, que apesar de tardiamente ter emigrado ao Brasil, pois não faz cem anos que aqui estão e já ocupam destaque nas fotos emblemáticas que mostram as tradições e folclores do paranaense e curitibano. Sem desmerecê-los, vejo nisto um pouco de exagero. E negros, onde estavam os negros?
Hoje, fazendo uma pesquisa encomendada pelo deputado Maurício Requião vai encontrar no inventário sobre a cidade de Curitiba, transcrito na obra do professor Ernani Straube, que nos diz, que em 1693, Curitiba possuía uma população de 5.819 pessoas sendo que 4102 eram brancos, 955 mulatos e pardos frutos de miscigenação e 762 negros. Ora, isto significa que, nada mais nada menos que trinta por cento da população curitibana era negra ou mestiça ao momento de sua fundação. Como então podemos desconsiderar este fato? Como podemos omitir nos manuais, folders, livros e guias a presença dos negros na vida de nossa cidade?
Que tipo de sentimento desenvolve tamanha cegueira? Que tipo de ingratidão cívica é responsável pela omissão que faz vistas grossas ao esforço e a contribuição dos negros em nossas vidas? Que nos dirá o IBGE nos dias de hoje? Qual o percentual de negros na população de Curitiba,... e de mestiços?
Sei que no passado próximo o poder público inaugurou a Praça do Zumbi numa tentativa de resgatar um pouco desta cegueira crônica, infelizmente não acho que esta caricatura de rebeldia reivindicatória esboce com fidelidade a contribuição negra na vida cultural e no processo civilizatório brasileiro.
Sinceramente eu interpreto estas omissões como um racismo velado.

Wallace Requião de Mello e Silva.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Presença de Negros no Paraná.

Eu já tive a oportunidade de publicar em outro artigo, que a primeira noticia da presença de negros no Paraná se deve aos relatos de Alvar Cabeza de Vaca, na primeira metade dos anos 1500. Agora encontrei esse texto assinado por Samuel Guimarães da Costa que nos alerta para que houvesse uma tendência de tornar a presença do negro na formação negra do Paraná como muito modesta, senão inexistente como se lê na obra de Gilberto Freyre Casa Grande e Senzala.
Samuel Guimarães, pesquisando velhos documentos no Arquivo Público do Paraná trás alguma noticia numérica dessa participação. Existe também outro raro livro “Titãs de Bronze, obra do professor Michaelis, que nos trará, logo que possa lê-lo.
Vejamos: A distribuição geográfica das populações negras 30 anos antes da abolição, no Paraná assim estava descrita: No litoral, compreendido pelos municípios de Paranaguá, Antonina, Mortes, Guaratuba e Guaraqueçaba numa população global de 19.441 pessoas 3.311 eram negros (17%). No primeiro planalto englobando Curitiba, São José dos Pinhais, Araucária, Campo Largo, Votuverava, num total geral de 17.774 pessoas 1394 eram negros (7%).
No segundo planalto, compreendendo os municípios de Ponta Grossa, Palmeira, Rio Negro, Lapa, Castro, Tibagi, Jaquariaíva numa população geral de 20.151 habitantes os negros somavam 5065 (25%). No terceiro Planalto que englobava a longínqua Guarapuava e Palmas numa população geral de 3274 pessoas 547 eram negros (16%).
Por julgar importantes essas informações o G 23 dá ciência.