Vocação do Brasil
Orlando Fedeli
"Houve um tempo em que a filosofia do Evangelho governava as nações ..."
Assim o Papa Leão XIII ensinou ao mundo, na encíclica Immortale Dei, que na Idade Média a ordem política fora moldada pela sabedoria de Cristo. Nesse tempo, as nações estavam irmanadas pela Fé e constituíam a Cristandade. Antes de ser francês ou alemão, português ou espanhol, o medieval dizia-se cristão. Nessa unidade, as nações cristãs brilhavam pela caridade. Nem o orgulho nem a inveja as lançavam em lutas fratricidas. Nesse tempo feliz, não houve guerras nacionais, que só vieram a acontecer quando a Fé deixou de conduzir os reis e a caridade se estiolou. A guerra dos cem anos, entre França e Inglaterra, foi a primeira contenda bélica de fundo nacional.
O mesmo Papa Leão XIII ensinou também que, "repudiados os princípios cristãos, nos quais reside a virtude de irmanar os homens e uni-los como em uma grande família, prevalece, a pouco e pouco, na ordem internacional, um sistema de egoísmo e de inveja, pelo qual as nações se observam reciprocamente, se não com rancor, certamente com desconfianças e competições" (Parvenu , 18).
Evidentemente Leão XIII condena, nesse texto, a doutrina do nacionalismo, um dos frutos danosos do liberalismo, que não só colaborou para triturar os restos da ordem internacional, como preparou a construção da Anticristandade, a ONU, fundada sobre os princípios ímpios e naturalistas da Maçonaria. Porque, como francamente explicitou o carbonário Mazzini, "o nacionalismo é um meio para chegar a um fim: o internacionalismo".
Com o fito de bem compreender o que eram as nações cristãs, no todo uno e variado da Cristandade medieval, é útil considerar como cada qual das nações católicas cooperava para a beleza e harmonia da ordem internacional cristã, cultivando seus valores mais profundos, sem desprezar nem invejar as qualidades que Deus dera aos outros povos, mas, pelo contrário, amando com alegria as qualidades das demais nações , porque Deus é admirável em todas as suas obras.
Quiséramos, pois, que nossas idéias contribuíssem para unir, na Fé e na caridade, todas as nações da antiga Cristandade, particularmente as nações da América, filhas da gloriosa Espanha e do fiel Portugal, na realização da vocação histórica a que Deus as chamou.
Para conhecer a vocação de um homem, consideramos as qualidades que lhe Deus lhe deu a fim de facilitar-lhe o cumprimento da missão que lhe confiou, assim como as circunstâncias de sua origem e de sua vida.
O mesmo devemos fazer quando desejamos conhecer a vocação das nações.
Nossas origens - quer do Brasil , quer das demais nações da América colonizadas pela Espanha - não devem ser buscadas em 1500 ou em 1492, datas de descoberta de nossas terras. Nós procedemos de mais longe. Somos na verdade um prolongamento natural e fiel das nações ibéricas. Nós nascemos em Covadonga. Nascemos já com a espada na mão, para a defesa da Fé.
Permita-nos o leitor traçar um esboço despretensioso de fatos bem conhecidos.
Após as grandes invasões bárbaras, instalou-se na península ibérica o reino Visigodo, cedo destruído pela invasão moura. Em 711, Tarik trouxe para a antiga Hispania as hordas muçulmanas, cheias de ódio pela Religião do Verbo Encarnado. Com efeito, no seu judaico Corão se repetem as blasfêmias dos fariseus contra Deus e contra seu Cristo:
"Diz: Allah é o único,Allah é o único.Ele não gerou e não foi gerado" (Corão, Sur. CXII, 1-4).
"Nosso Senhor não adotou nem esposas nem filho" (Corão ,Sur. LXXII, 3)
Com essas palavras, os maometanos negavam tanto a Santíssima Trindade quanto a processão do Verbo. Negavam a Encarnação do Filho de Deus e a virginal maternidade de Maria Santíssima. Desejavam os asseclas de Maomé expandir o Islão a golpes de cimitarra. "Crê ou morre" era seu lema.
A invasão árabe devastou a Hispania, atravessou os Pirineus e só foi detida por Carlos Martel, em Poitiers, em 732. Recuaram então os árabes para aquém dos Pirineus e permaneceram na península ibérica por quase oito séculos. Subjugados pela tirania dos infiéis, muitos visigodos cederam e apostataram, aderindo ao islamismo e a seus haréns. Muitos mais, entretanto, pereceram na fidelidade a seu batismo. Só um pequeno núcleo de resistência permaneceu combatendo.
Nas montanhas das Astúrias, no norte da península, um príncipe visigodo - Pelayo - refugiou-se numa gruta (Covadonga) com um pequeno número de fiéis dispostos a morrer, mas a não capitular diante da infidelidade maometana. Em Covadonga, eles se instalaram com uma imagem da Virgem Maria.
Pela segunda vez na história, a Virgem Maria estava numa gruta. Na gruta, em Belém, nasceu Nosso Senhor Jesus Cristo. Na gruta, em Covadonga, nasceu a Espanha.
De Covadonga partiu Pelayo com seus homens, para atacar os maometanos. Tanto mal lhes fez, que os infiéis mandaram um exército a fim de destruir a resistência da gruta de Covadonga. A vantagem numérica dos árabes não lhes adiantava muito, pois tinham que penetrar numa gruta cuja entrada era - como o caminho do céu - estreita e difícil. Além disso, no caso concreto, era fácil de ser defendida. Em meio ao combate, houve um terremoto e parte da montanha desabou, soterrando - dizem - um terço dos mouros atacantes. O triunfo de Covadonga, em 718, fez com que Pelayo fosse proclamado rei das Astúrias.
A Espanha nasceu numa batalha. A Espanha nasceu de uma vitória. Seu primeiro grito foi de triunfo. Com um terremoto ela entrou na História. Veio à luz para combater as trevas da infidelidade.
Pelayo e seus soldados continuaram a guerrear com os infiéis. Era a guerra da Reconquista, que, iniciada com a invasão árabe, em 711, prosseguiria até a expulsão total dos maometanos em 1492. Jamais houve uma guerra tão longa na História: 781 anos de combates, de derrotas e de triunfos. Quase 800 anos de heroísmo. Certamente 800 anos de perseverança e de esperança. Nenhum povo tem uma História tão una quanto o da Espanha: oito séculos com um só fato: oito séculos de fidelidade à Cruz de Cristo; oitocentos anos de amor até o sangue.
Não se pense - muito romanticamente - que nesses oito séculos, se caminhou sem quedas, de vitórias a triunfos. Se a guerra foi tão longa, é porque nela houve muitas derrotas e muitos percalços, muitas crises, angústias, e mesmo, muitas traições.
"À vaincre sans péril, on triomphe sans gloire" (Corneille, le Cid)
Duas foram as causas dessa guerra imensa de oito séculos:
1) Causa Religiosa: os visigodos lutavam em defesa da Fé contra os invasores árabes, que queriam impor, a golpes de cimitarra, a fé em Allah e em seu pseudoprofeta, Maomé.
2) Causa Política: os visigodos combatiam para reconquistar seus territórios invadidos e ocupados pelos mouros.
Na Reconquista, não houve causa econômica. Os visigodos de Pelayo, em Covadonga, haviam tudo perdido, menos a Fé. Exceto sua pequena imagem da Virgem. Menos sua gruta e sua coragem. Tudo perdido. Menos a Fé. Menos a esperança.
Quem assim tudo perdeu, não luta por dinheiro. Batalha por razões mais altas e mais profundas. Por razões difíceis de serem compreendidas por quem, em vez de alma, tem um cofre, em vez de coração, uma conta bancária. Quem é verdadeiramente católico, pugna em prol das únicas razões pelas quais é digno viver: Deus e a honra. Não pelo dinheiro.
É evidente que, reconquistando uma cidade ou uma região, eles se apossavam de novo de suas riquezas. Mas não tinham sido movidos ao combate pela esperança de contar moedas após a vitória. Lutavam para fazer de novo os sinos cantarem nos campanários. Porfiavam para fazer cessar o lamento dos muezins no alto dos minaretes, para fechar os impuros haréns muçulmanos. Para acabar com a escravidão existente no Islão, escravidão que não existia entre os cristãos.
Pouco a pouco, o pequeno Reino das Astúrias, fundado por Pelayo, cresceu e se transformou no Reino de Leão.
Multiplicaram-se os focos de resistência aos invasores. Novos reinos Cruzados nasceram: Castela com suas velhas torres, Navarra com seu desejo de romper correntes, Aragão sonhando em marcar em seu escudo de ouro quatro rubras faixas heróicas de sangue. Esses novos reinos Cruzados somaram-se a Leão em sua guerra católica contra o maometismo.
Da Europa, levas de cavaleiros cristãos, despertados pelo rumor das espadas batendo-se sob os estandartes da Cruzada, vinham para a península ibérica, a fim de auxiliar com suas católicas proezas os cristãos atrevimentos da Reconquista. Entre esses combatentes atraídos pelo amor da glória de Deus estavam Raimundo e Henrique de Borgonha, que, no século XII, foram a Leão vencer ou morrer por Cristo Rei, lutando contra Mafamede. Por suas façanhas de guerra eles receberam do Rei de Leão pequenos territórios em feudo. Henrique de Borgonha tornou-se desse modo senhor de um condado, no qual havia o porto de Cale. Ele se tornou Conde de Porto Cale e se casou com Dona Tareja, uma das filhas do Rei de Leão.
Desse casamento nasceu aquele príncipe que ia ser o fundador de Portugal, o "Abraão" do povo lusitano, a quem Cristo prometeu uma descendência numerosa assim como uma terra imensa, proporcionada à alma de Portugal, terra onde corressem o leite e o mel, o Príncipe D. Afonso Henriques.
Quando morreu seu pai, D. Afonso teve que lutar contra sua própria mãe e contra os leoneses para garantir seus direitos e ver confirmado seu título de Conde de Portugal. Só depois disso D. Afonso pôde usar sua espada contra o árabe inimigo de Cristo.
Em Ourique, D. Afonso, com sua pequena hoste de lusitanos, teve que enfrentar de uma só vez cinco príncipes árabes, à frente de uma tropa muito maior que a sua. Antes da batalha, na madrugada de Portugal, o Conde se retirou do acampamento para pedir ao Deus dos combates a força e a vitória. Enquanto rezava, aconteceu o milagre: Cristo lhe apareceu no céu, pendente da Cruz, com as cinco chagas brilhando. E do peito de D. Afonso saiu então o grito sublime:
"Não a mim ! Não a mim, Senhor ! Aos infiéis, aos infiéis , Senhor, e não a mim que creio o que podeis ! " . "Não a mim , Senhor, não a mim, esta misericórdia. Aos árabes, a graça desta visão, para que se convertam".
Quando nasceu a Espanha, tremeu e abriu-se a terra. Quando nasceu Portugal, abriu-se o céu.
Nesta cena, em que se vê um Príncipe rezando, ajoelhado ante o Crucificado, tendo a espada à cinta, pronta para dar a morte, e soltando um brado de prece pela alma do inimigo infiel que vai combater, está representada toda a vocação de Portugal e Espanha: combater e rezar. Vocação de ser Cruzado e apóstolo. Vocação verdadeiramente nada ecumênica, permitam que o note com alegria. Vocação de Portugal. Vocação de Espanha. Vocação que herdamos, ao ser fincada por Colombo a Cruz das caravelas em nossas terras, ao recebermos o batismo de mãos sacerdotais hispânicas, ao empunharmos, por nossa vez, a Cruz da espada de Pelayo e de D. Afonso, em nossas mãos. Bendito seja Deus que nos fez Cruzados e apóstolos!
Em Ourique, nascia Portugal. Em Ourique, soprava a brisa ardente que vinha de longe. De longe, no tempo. De longe, no espaço. A brisa que vinha de Covadonga chegara a Ourique. Em Ourique, Deus chamava Portugal - e com Portugal, também o Brasil também o Brasil! - à mesma vocação de Espanha, à mesma razão histórica de existência, sem a qual nada somos.
E Cristo na Cruz, com as cinco chagas brilhando, falou a D. Afonso Henriques, prometendo-lhe a vitória sobre os cinco príncipes maometanos. Ordenou-lhe ainda que aceitasse o que fariam seus guerreiros após a vitória.
E quando terminou a batalha, lá, nos campos de Ourique, os cavaleiros portugueses, inebriados de heroísmo e de triunfo, ergueram o Conde de Portugal sobre o escudo, proclamando-o, no rude e sublime rito daqueles tempos, Rei de Portugal. Então lá, nos campos de Ourique, por vez primeira soou o brado heróico:
"Real ! Real ! Por Afonso, alto rei de Portugal!" (Camões , Lusíadas , III, 46).
Por escudo, o novo monarca adotou a Cruz de Cristo marcada pelas cinco quinas. Cinco, porque esse fora o número dos reis vencidos. Cinco quinas, também e principalmente, porque lembram as cinco brilhantes chagas de Cristo, que aparecera e falara a D. Afonso.
Mas, em cada uma das cinco quinas, D. Afonso mandou marcar cinco moedas, perfazendo o total de trinta, pois se contavam duas vezes as cinco moedas da quina central da Cruz. Trinta moedas da traição de Judas. Um escudo com a Cruz da fidelidade e com as trinta moedas da traição, a fim de lembrar aos portugueses que sua história devia ser ou de fidelidade à Cruz, ou de traição mesquinha, tilintando no fundo da algibeira as moedas da apostasia. Ou fazer do coração e da alma uma tocha ardente de amor à Cruz e à fé, ou fazer do coração uma bolsa avarenta, na qual Portugal amesquinhado - "Portugal-centavo", como bem definiu um poeta -, contava, uma a uma, as parcas e miseráveis trinta moedas da traição.
Entre a Cruz e as moedas, entre a fidelidade e a traição. Entre ser apóstolos ou apóstatas, eis nosso inarredável destino. Escolher entre viver pela Fé e para a Igreja, ou vegetar pela riqueza, tal é o dilema de Portugal na sua História - tal é o dilema do Brasil. Ser de Cristo ou de Mamon. Ser católico ou marxista. Ser como São Paulo ou como Judas.
Os ventos que haviam sacudido os estandartes de Pelayo em Covadonga - havia quatrocentos anos já!- sopraram mais rápidos sobre os campos de Portugal do que no restante da península ibérica, impelindo mais depressa as bandeiras lusitanas que expulsaram logo os mouros para os areais africanos, de onde tinham vindo. Santarém, Alcobaça, Lisboa foram conquistadas pelo vitorioso D. Afonso. Para conquistar Lisboa, ele pediu o socorro das orações de São Bernardo de Claraval. E, quando ia se dar a batalha, passou providencialmente um barco, levando Cruzados alemães, suecos, ingleses e franceses que iam ao Oriente combater na Terra Santa. Ao verem estandartes cristãos lutando para conquistar Lisboa aos maometanos, eles desembarcaram para auxiliar a vitória. D. Afonso viu neste socorro inesperado o efeito das orações de São Bernardo, e, agradecido, fez seu reino vassalo de Claraval, pagando fielmente tributo anual à santa abadia. Até o século XVIII Portugal foi fiel à sua vassalagem. Um ministro maçon, em sua soberba - Pombal - quebrou essa fidelidade e guardou as moedas da vassalagem, dizendo talvez que isto era contra a honra e o enriquecimento de Portugal. Economizou as moedas, proclamou a sua soberba. Guardou anualmente trinta centavos. Que fizeram Portugal - a partir do século XVIII - cada vez mais rico, poderoso e independente. Nasceu com Pombal o Portugal ciosamente independente: Portugal-centavo.
Os portugueses concluíram a Reconquista muito antes do que a Espanha. Já em 1147 haviam posto para a África os últimos mouros. Toda a terra, até o mar, ao sul, fora reconquistada. Entretanto, a guerra aos infiéis não findara. Portugal não tolerava que houvesse mouros à costa. E nem mesmo além da costa, pois:
"Não sofre o peito forte afeito à guerranão ter inimigo a que não faça dano. Portugal, não tendo quem enfrentar em terra,foi acometer as ondas do oceano".
(Camões, Lusíadas , VI, 48)
Não havendo mais terras a reconquistar, Portugal ia combater além do mar. Sua alma cristã era grande demais para ser contida na pequena terra lusitana. Ela buscava a terra grande, proporcionada à sua alma. A terra que Cristo prometera a D. Afonso em Ourique, no alvorecer de Portugal.
A epopéia das navegações é a continuação da Reconquista. Portugal, face da Europa, perscrutando o Oceano, olhava além do horizonte, sondando como destruir o império islâmico. Desse desejo nasceu Sagres. Dessa vontade de ir combater mais além nasceu a caravela, conduzindo cruzados e missionários. O vento que impelia as caravelas era o mesmo que havia acariciado os estandartes de Pelayo em Covadonga. Hoje se afirma que foi apenas o interesse econômico que deu causa às navegações. Nas caravelas não estava marcado o cifrão, e sim a Cruz de Cristo.
"Pois não é, por certo, o vento o que a move a ela.É, na verdade, a Cruz quem move a caravela".
As causas das navegações, fundamentalmente, foram as mesmas que as da Reconquista:
1.- Causa religiosa: expandir a Fé católica.
2.- Causa Política: destruir o império maometano e conquistar suas terras.
A estas duas causas, acrescentou-se uma terceira:
3.- Causa econômica: dominar o comércio de especiarias.
Originalmente até esta causa econômica derivava de razões religiosas. Os maometanos intermediavam o comércio de especiarias da Índia para o Ocidente, e, com isso, auferiam grandes lucros, com os quais financiavam os exércitos com que combatiam os cristãos. Deste modo, eram os próprios cristãos que pagavam as tropas que os atacavam.
Portugal pensou então em alcançar a Índia por mar para impedir essa intermediação islâmica no comércio de especiarias, e assim cortar-lhes a fonte dos recursos para atacar a Europa cristã.
Além disso, as caravelas podiam levar a guerra até Meca, até o coração do império muçulmano. Eram então razões religiosas que determinavam a busca do caminho marítimo das Índias, e não motivos puramente interesseiros.
Portugal navegou enfrentando no horizonte infinito, nas brumas, nas ondas, as lendas e perigos do Oceano. Quantos barcos soçobraram! Quantos homens morreram no mar! Quantas caravelas não mais voltaram! Quantos nos portos ficaram, em vão, a esperar !
"Ó mar salgado, quanto de teu salsão lágrimas de Portugal !Por te Cruzarmos, quantas mães choraram, quantos filhos em vão rezaram,quantas noivas ficaram por casarpara que tu fosses nosso, ó mar !Valeu a pena ? Tudo vale a pena,se a alma não é pequena !Quem quer passar além do Bojador,tem que passar além da dor !Deus, ao mar, o perigo e o abismo deu,mas nele é que espelhou o céu !"
(Fernando Pessoa, Mar português)
...Quantas saudades tão fundas, nos cais vazios dos velhos portos!...
Uma quadra popular cantou o mesmo tema:
"Ó ondas do mar salgadodonde vos vem tanto sal ?""É das lágrimas choradasnas praias de Portugal ! "
Quanta dor ! Quanta grandeza ! Porque Portugal ouviu bem e bem compreendeu o que lhe cantava a brisa que vinha de Covadonga e Ourique: "Vai ! Combate ! Navega ! Batalha ! Ensina ! "
Portugal bem compreendeu que combater e "navegar é preciso. Viver não é preciso !"
Compreendeu que... "Deus quer, os homens sonham, a obra nasce ! "(F. Pessoa)
Deus quis. O Infante D. Henrique planejou. nasceu Sagres. Portugal navegou. Colombo descobriu. Um mundo nasceu.
Eis Portugal, pequena nação no oceano da História. Eis Portugal, pequena caravela na imensidão do Oceano. Descobrindo os Açores. Caravela de Portugal, Costeando o litoral africano. Retornando a Sagres, a estudar os portulanos. Partindo outra vez, olhar sedento dos horizontes longínquos.
Ah! a sede! Sede dos horizontes infinitos! Ah! a sede das gargantas sem a doce água lá das fontes das serras... Ah! a sede insuperável das almas a resgatar!
As tempestades. Os combates desconhecidos. A fome. As calmarias. Os furacões. Novos portos. As quinas marcando a conquista, nas praias brancas, aos pés do areal moreno, nas ilhas distantes... Cada vez mais além ! Plus ultra ! Plus ultra ! depois... "A Cruz de sangue regressando, e trazendo a bordo as distancias dos velhos portos..." (P. Bonfim).
Nas calmarias, a caravela imóvel, na imensidão do mar, acreditava nos ventos de Covadonga. Nas noites tenebrosas, a caravela tinha fé nas cinco chagas brilhantes de Ourique. Nas tempestades, quando se era obrigado a recolher as brancas velas, ocultando a Cruz de sangue de seu batismo, eram os mastros que se transformavam em cruzes nuas, de onde pendia a esperança de Portugal, a confiança da Espanha.
Que buscava a caravela de Portugal na vastidão do oceano? Que perscrutava no horizonte o olhar do vigia, desde o alto da gávea? Que direção queria o punho do timoneiro, firme no timão? Que oriente contemplava o comandante, de olhar fixo nas estrelas?
Buscavam as cinco chagas brilhantes de Ourique... Onde estariam elas, escondidas na noite escura? Onde estava a prometida Cruz de Cristo de D. Afonso Henrique?
Perscrutavam..."a linha severa de longínqua costa "... Buscavam, na linha fria do horizonte distante...
"Á árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte, os beijos merecidos da verdade" (F. Pessoa) ... em que tinham acreditado.
Buscavam, além do horizonte, as almas de que tinham sede, as almas que, além do negro horizonte da idolatria, morriam de sede da verdade.
Buscavam, como pensou Colombo, o que queriam os antigos Cruzados, a libertação do Santo Sepulcro de Jerusalém, passando antes pela conquista das Índias...
Nas tempestades, nas calmarias, sob a Cruz dos mastros, sob a sombra cruzada das velas, Portugal desejava, Portugal esperava, Portugal ansiava pela terra prometida por Cristo a D. Afonso ajoelhado em Ourique. E, nas almas portuguesas, do fundo da noite dos tempos até o convés da Caravela, ecoavam longínquas as vozes dos cavaleiros de Ourique;
"Real ! Real ! Por Afonso, alto Rei de Portugal ! "
Lá ia a caravela por ordem do grande Infante, por mandato de D. João II, até os confins do universo, "nos mares do fim do mundo", sabendo
"que da obra ousada,era de Portugal a parte feita,o por fazer era só por Deus".
(F.Pessoa, Padrão)
E, em meio aos temores do Oceano, forjadores de lendas e de monstros, o timoneiro atado ao leme podia exclamar, tremendo e ufano ;
"Aqui ao leme sou mais do que eu:Sou um povo que quer o mar que é teu;E, mais que o monstrengo, que sua alma temeE roda nas trevas do fim do mundo,manda a vontade que me ata ao leme,de El Rei D. João Segundo".
(F. Pessoa, O Monstrengo)
O mesmo podia ter dito Colombo, aquele que acreditou quando ninguém mais cria, firme, conservando o leme e a rota em direção ao Ocidente:
"Aqui ao leme sou mais do que eu. Sou a Cristandade que crê e que espera. Que quer libertar Jerusalém do jugo dos novos fariseus".
Nessa busca contínua no mar tenebroso, Portugal confiava, um dia, encontrar a terra da promessa. Na busca sem fim do Oceano ignoto, Colombo confiava encontrar a promessa dos céus e a esperança da terra: o triunfo da Santa Igreja Católica.
Chegou, enfim, certa madrugada em que a caravela navegou, por vez primeira, sob a luz das cinco chagas luminosas de Ourique. Cinco estrelas brilhavam, formando uma Cruz no céu de veludo. Como na madrugada de Ourique. Era o sinal de D. Afonso luzindo na madrugada de Portugal. Cintilando na aurora do Brasil, que nascia da linha do horizonte, com suas praias, com suas serras azuis na distância, seus rios e suas florestas, uma terra grande de verdade, ansiando pela Verdade. Uma terra grande do tamanho da alma de Portugal.
E a América brilhando ao sol, jubilosa por ver chegando, logo após o Grande Almirante, as espadas libertadoras de Cortés e de Pizarro. Entrevendo já os ídolos diabólicos tombados dos teocalis. Venerando já, no alto do grande teocali do México, aquela mesma que ia brilhar, humildemente gloriosa, em Guadalupe.
Quando Colombo e Cabral chegaram à nova terra encontraram a terra da Santa Cruz de Ourique, a terra da Virgem de Guadalupe, na qual, ambos - Colombo e Cabral - fixaram a Cruz que haviam trazido nas velas brancas de suas caravelas. A santa Cruz das caravelas, em terra enfim fixada. Para sempre! Quando se abriu o mar, nasceu a América.
Começava então uma terceira etapa da história hispânica: a da Conquista.
Chegados às praias dos novos continentes, portugueses e espanhóis não se detiveram, exaustos, na fímbria litorânea. O impulso que os levara a vencer o oceano não lhes permitia deterem-se na orla do continente. Como a mola que, depois de pressionada e libertada de opressão, salta indo além de sua posição original, assim também portugueses e espanhóis, livres da pressão maometana, não retornaram a ocupar apenas os limites antigos da península ibérica. Foram além. Cruzaram os mares, e, mais ainda, atravessaram os novos continentes descobertos. A Conquista espanhola e as Entradas portuguesas foram a continuação das Navegações, assim como esta havia sido o prosseguimento da Reconquista. A Bandeira foi a caravela em terra firme. Já não podendo navegar, lusitanos e espanhóis calçaram as botas dos bandeirantes. Cortez, Albuquerque, Borba Gato, Pizarro, Fernão Dias Paes foram os continuadores das façanhas de Vasco da Gama e de Colombo, de Cabral e de Fernão de Magalhães.
As causas da Conquista espanhola da América e das Bandeiras portuguesas foram as mesmas que as da Reconquista e das navegações:
1.- Causa econômica: a busca de ouro, pedras e outros metais preciosos;
2.- Causa política: a dilatação do território luso-espanhol;
3.- Causa religiosa: a propagação da Fé.
Observe-se, porém, a inversão da ordem das causas com relação à Reconquista. Enquanto na luta contra os árabes quase não influiu a razão econômica, sendo a Fé era a grande motriz, nas Bandeiras portuguesas em especial, como também na conquista espanhola da América em menor grau, foi o fator econômico que assumiu a preponderância, enquanto a luz da Fé foi se apagando.
Até o grande Cortez dizia aos aztecas que os espanhóis de seu tempo sofriam de uma doença do coração que só se curava com ouro. E Moctezuma, constatando a ambição de Cortez, dizia-lhe: "Malinche, você é insaciável".
Entretanto, mesmo em Cortez a Fé era ainda tão forte e tão importante, que ele não titubeou em derrubar os ídolos aztecas do alto das pirâmides índias - com risco de perder todos os tesouros que conquistara ou que poderia obter - para exigir que no topo do mais alto teocali do México fosse colocada a imagem da Virgem Maria. Quando, com a força de sua espada nada ecumênica, Cortez fez isso, ele assistia e realizava, do alto da pirâmide culminante do paganismo da América, o triunfo final do movimento que nascera na gruta de Covadonga, quase oito séculos antes. Desde a gruta de Covadonga até o alto do grande Teocali, haviam decorrido oitocentos anos. Oito centúrias de batalhas, para tornar a Virgem da humilde gruta de Covadonga Rainha das Américas.
Entre os Bandeirantes o êxito econômico foi bem menor que o dos Conquistadores castelhanos, mas a cobiça de riquezas foi ainda maior. Certamente também, bem menor foi o seu impulso religioso, pois que os bandeirantes só levavam consigo um capelão que, ocasionalmente podia converter e batizar índios. Desgraçadamente, eles não estavam tão preocupados com a dilatação da Fé...
O que causou este desvio tão grande da Conquista e das Bandeiras com respeito à orientação original da Reconquista e das Navegações? Que foi que levou a fome pelo ouro a suplantar a sede de justiça? Que fato histórico transformou a pura labareda da Reconquista na chama obnubilada pela fumaça das ambições dos Conquistadores e Bandeirantes? Quommodo obscuratum est aurum? Com se obscureceu o ouro da vocação hispânica?
O que ocorreu foi uma diminuição da Fé e um apego crescente aos bens do mundo. Portanto, cresceu o naturalismo. E tal naturalismo foi obra da mentalidade renascentista e mercantilista.
O Renascimento, com seu antropocentrismo pagão, isto é, com seu endeusamento do homem, levou a humanidade a deixar de viver para o céu e a voltar os olhos para a terra. Se o homem - feito de terra - é o centro do universo, se tudo começa e termina nele próprio, ele somente terá vistas para o que é material, eis que nada o transcende. Entretanto, só realizará epopéias quem tiver os olhos postos no céu. Assim, com a vitória do renascimento e do humanismo, deixaram de existir cruzados e missionários contemplando as cinco chagas de Cristo nas madrugadas de Ourique. O humanismo fizera os homens colocarem seu fim último neste mundo. O mercantilismo, colocando na riqueza o fim do homem, ensinou os portugueses e espanhóis a viver contando as trinta moedas da traição imanentista. Não foi à toa que o próprio Camões se queixou - já em seu tempo - de que cantava em vão, para um povo mergulhado numa vil e mesquinha tristeza:
"Não mais, Musa, não mais, que a lira tenhodestemperada e a voz enrouquecida,e não do canto, mas de ver que venhocantar a gente surda e endurecida.O favor com que mais se acende o engenhonão no dá a pátria, não que está metidano gosto da cobiça e na rudezade uma austera, apagada e vil tristeza".
(Camões, Os Lusíadas , X, 145).
Camões já cantava para Portugal-centavo, que sonhava apenas com as moedas de sua algibeira, cada vez mais vazia. Porque, por ironia e por sábia Providência, enquanto Portugal só buscou dilatar o Reino de Deus, tornou-se poderoso e rico. Mas, na medida em que o Reino abraçou o "baixo amor" das coisas materiais, esvaziando a sua alma do amor do Infinito, perdeu, ao mesmo tempo, poder e fortuna. Só lhe restaram o vazio, a impotência e a pobreza, numa "austera, apagada e vil tristeza".
Foi essa mesma sede das trinta moedas que fez no século XVII Portugal não compreender que a realização de sua vocação histórica estava na tentativa de recomeçar a reconstrução da antiga Cristandade por meio de uma união feudal com a Espanha, guardando sua autonomia. O orgulho nacionalista o impeliu então a ouvir mais as vozes que lhe vinham da Inglaterra protestante, a ouvir de preferência o tilintar das trinta moedas que Caifás, agora banqueiro, fazia tilintar promissoramente em Amsterdam. Portugal ficou separado da Espanha para manter-se independente. Mas passou a depender de Londres e da assim chamada Companhia das Índias... E passou a sonhar com o messianismo nacionalista do Sebastianismo... Para mais tarde esperar a fusão ao Mercado Comum Europeu...
Hoje estamos, nós católicos, separados por nacionalismos orgulhosos e invejosos. Já não se apresentam nossas nações, antes de tudo, como cristãs. Busca-se, não a união na Fé, mas o aumento do produto interno bruto, ou a exaltação política - sempre fanática - da nação.
Porém, o que dá unidade e intelegibilidade à História de nossas nações hispânicas é esse movimento único Reconquista - Navegações - Bandeiras. É esse movimento nascido na gesta de Covadonga, sancionado pelo Divino Crucificado em Ourique, que revela qual é a nossa vocação histórica. Vocação de Espanha e de Portugal. Vocação do Brasil e das antigas colônias espanholas da América: existir, viver e lutar pela propagação da Fé e pela dilatação da Cristandade.
É só voltando a seguir os estandartes de Covadonga, é só ajoelhando-nos, de novo, com D. Afonso em Ourique, é só combatendo a infidelidade e implorando a Deus pela conversão dos infiéis que recuperaremos nossa vocação histórica. É só quando voltarmos a ter a fé e a esperança dos antigos Cruzados-missionários que voltaremos a ser o que Deus quer que sejamos. Caso contrário, nada seremos. Só assim voltaremos a ter o Infinito na alma, a grandeza no coração, missão na História, e, em conseqüência, poder e riqueza.
Soprem de novo em nossas almas, os ventos de Covadonga.
Brilhem de novo em nossas madrugadas, a Cruz e as chagas de Ourique.
Singrem de novo nossas almas-caravelas os oceanos da gentilidade.
Derrubemos de novo, dos novos teocalis modernos, os ídolos mesquinhos e imundos do século XX.
Porque, para que servirão as belas estrelas, se no mar já não existirem as caravelas?
Quando a terra se abriu, nasceu a Espanha.
Quando o céu se abriu, nasceu Portugal.
Quando o mar se abriu, nasceu a América.
Quando se abrirão de novo nossos corações, para que Deus renasça em nossas almas?
Quando se abrirão de novo nossas mentes para que compreendamos o que somos na História, e renasça a Cristandade?
Neste quinto centenário da América católica roguemos a Deus que, por misericórdia, sopre, de novo, em nossas pobres almas, os ventos heróicos de Covadonga. Que Ele nos livre do espírito do ecumenismo destruidor da Fé, ecumenismo que mata nossa alma-Cruzada e esteriliza nossa alma-missionária. Que Ele nos liberte do espírito de orgulho e de inveja do nacionalismo, doutrina fratricida e destruidora da Cristandade.
"Eis que estou à porta de teu coração e bato. Se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em casa dele e cearemos juntos, eu com ele e ele comigo" (Apoc. III, 20).
Vinde, Senhor Jesus, vinde e fazei-nos, a nós todos da América hispânica, dignos filhos de Covadonga. Dignos filhos de Ourique.
_________Texto da palestra proferida pelo Prof. Orlando Fedeli em outubro de 1992, na cidade de Buenos Aires, por ocasião das comemorações do Quinto Centenário do Descobrimento da América.
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segunda-feira, 9 de março de 2009
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Texto antigo, tema atual.
No saguão do BADEP.
É uma pena que os grandes jornais do Paraná não publiquem as opiniões dos senhores J.W. Bautista, Cel. Roberto Monteiro (ex-chefe do SNI do Amazonas) e Almirante Gama e Silva sobre a entrega do subsolo nacional e o fim da indústria de capital genuinamente brasileiro.
Ao ler os seus trabalhos sobre o SIVAN, Plano Real, Petrobrás, Amazônia e privatização da Companhia Vale do Rio Doce, e sobre a globalização do comércio de bens e serviços e os mega-blocos, documentos enviados ao gabinete do Deputado Maurício Requião, e Senador Roberto Requião, onde, num deles, o Almirante Gama e Silva, para manifestar toda a sua indignação, utiliza da seguinte expressão: “Eles não querem o nosso bem, eles querem os nossos bens”..., lembrei-me então, por isto, das exposições que se realizavam nos saguões do BADEP.
Numa delas, sobre a cartografia no Paraná, havia uma seqüência de fotografias, cedidas pela Aerosul, que mostrava visões sucessivas do recorte do litoral paranaense observadas desde muitos quilômetros de altura. Numa aproximação gradativa mostrava a cidade de Paranaguá, o Porto, com detalhes, um navio e, finalmente, as inscrições legíveis de um container sobre o navio. Faltou, para demonstrar a potência e capacidade, uma foto do pulso de um marinheiro mostrando os dizeres do mostrador de seu relógio. Não é exagero, isto também é tecnicamente possível. Fiquei muito impressionado com a capacidade de resolução de uma foto tirada por satélite, no caso, o Landsat ou ERTS. Era o ano de 1981.
Antes disto e depois disto a cromo fotografia, a análise espectral, a termo fotografia, a analise radioativa, as alterações magnéticas, o acúmulo de vetores geológicos ampliaram muito os conhecimentos de investigação à distância.
Posteriormente, já interessado pelo assunto, lendo as vidas de Konstantin Tsiolkovski, Herman Oberth, Von Braun, Dornebergr, Theodore Von Karmam, considerados pais da astronáutica, percebi que o que os movia, não era apenas o desejo de voar. Eles já sabiam que no espaço existem grandes massas sólidas de minerais e gases que seriam aproveitáveis economicamente no futuro. Estas massas identificadas como planetas, satélites, asteróides, estrelas, sendo “terras” inabitadas são, se assim podemos dizer, terras de ninguém, terras que podem ser “ocupadas” e “conquistadas” para exploração de minérios e outras riquezas como fontes energéticas.
Isto mostra que desde muito os países que viveram estas realidades de pesquisas cósmicas já tinham consciência das possíveis carências minerais e energéticas para a necessária manutenção de seus “status” como nações lideres de um planeta industrializado, dominado por nações consumistas.
As pesquisas espaciais são caras, e ainda esta longe o dia em que a exploração destas riquezas cósmicas possa ser viabilizada economicamente. Por isso, aconteceu que, um dia, depois de terem desenvolvido inúmeras técnicas de investigação à distância possibilitando assim s a investigação precisa das composições minerais até o “Magma Cor” destes corpos celestes perdidos no espaço, perceberam eles, com vantagem, que podiam aplicar do espaço, com muita economia e racionalidade, estas técnicas de investigação à distância, de modo à melhor avaliar o subsolo do planeta, nos seus próprios países e principalmente no subsolo das terras que consideram “terras de ninguém”. Áreas do terceiro mundo.
Hoje as nações de primeiro mundo possuem um conhecimento especializado dos potenciais mineralógicos e energéticos que os colocam numa posição visivelmente vantajosa em relação aos países pobres. Estes últimos, que “possuem”, sem “saber”, ricos territórios, e que, devido às distâncias encontradas no domínio deste conhecimento são uns verdadeiros “ingênuos” nas suas relações comerciais, e, os primeiros, os ricos (G7), por dominarem estas informações, são mal intencionados nas suas relações internacionais. Estabelecem-se assim relações injustas, relações de exploração.
Por isto quero crer que há crime de lesa pátria por parte de nossos governantes facilitando a entrega de nosso rico subsolo. É difícil para eu crer na sua ingenuidade.
O Brasil esta a venda, senhores, por uma bagatela. Não sejamos ingênuos ou omissos. Nós não podemos deixar fugir aos nossos olhos, e alertar, e denunciar as perspectivas inescrupulosas de exploração destes países “ricos” sobre os mais pobres. Hoje o Brasil esta entre os principais alvos. Sempre foi explorado, todavia, nestes tempos modernos, já temos meios conceituais, tecnológicos, jurídicos e publicitários para impor resistência, somos uma nação.
Os grandes, como predadores insaciáveis, sugaram neste século a África, a Índia, a Venezuela e outros países, sem deixar, na verdade, nenhuma contrapartida verdadeiramente cultural, ou melhoria real no padrão de vida, ou ainda, no padrão tecnológico em relação às vantagens obtidas. Sirva-nos a lição. Estas pobres nações, no que diz respeito ao povo, sempre exploradas, continuam sendo subservientes. Enquanto povo, inconsciente de suas riquezas e de seu verdadeiro potencial econômico, continua permitindo este estado de coisas. Os fatos recentes, apenas permitem que povos sofridos conheçam, pelo contraste, a verdadeira miséria em que vivem e reconheçam, tardiamente, a traição de seus governantes.
Reação.
Wallace Requião de Mello e Silva
É uma pena que os grandes jornais do Paraná não publiquem as opiniões dos senhores J.W. Bautista, Cel. Roberto Monteiro (ex-chefe do SNI do Amazonas) e Almirante Gama e Silva sobre a entrega do subsolo nacional e o fim da indústria de capital genuinamente brasileiro.
Ao ler os seus trabalhos sobre o SIVAN, Plano Real, Petrobrás, Amazônia e privatização da Companhia Vale do Rio Doce, e sobre a globalização do comércio de bens e serviços e os mega-blocos, documentos enviados ao gabinete do Deputado Maurício Requião, e Senador Roberto Requião, onde, num deles, o Almirante Gama e Silva, para manifestar toda a sua indignação, utiliza da seguinte expressão: “Eles não querem o nosso bem, eles querem os nossos bens”..., lembrei-me então, por isto, das exposições que se realizavam nos saguões do BADEP.
Numa delas, sobre a cartografia no Paraná, havia uma seqüência de fotografias, cedidas pela Aerosul, que mostrava visões sucessivas do recorte do litoral paranaense observadas desde muitos quilômetros de altura. Numa aproximação gradativa mostrava a cidade de Paranaguá, o Porto, com detalhes, um navio e, finalmente, as inscrições legíveis de um container sobre o navio. Faltou, para demonstrar a potência e capacidade, uma foto do pulso de um marinheiro mostrando os dizeres do mostrador de seu relógio. Não é exagero, isto também é tecnicamente possível. Fiquei muito impressionado com a capacidade de resolução de uma foto tirada por satélite, no caso, o Landsat ou ERTS. Era o ano de 1981.
Antes disto e depois disto a cromo fotografia, a análise espectral, a termo fotografia, a analise radioativa, as alterações magnéticas, o acúmulo de vetores geológicos ampliaram muito os conhecimentos de investigação à distância.
Posteriormente, já interessado pelo assunto, lendo as vidas de Konstantin Tsiolkovski, Herman Oberth, Von Braun, Dornebergr, Theodore Von Karmam, considerados pais da astronáutica, percebi que o que os movia, não era apenas o desejo de voar. Eles já sabiam que no espaço existem grandes massas sólidas de minerais e gases que seriam aproveitáveis economicamente no futuro. Estas massas identificadas como planetas, satélites, asteróides, estrelas, sendo “terras” inabitadas são, se assim podemos dizer, terras de ninguém, terras que podem ser “ocupadas” e “conquistadas” para exploração de minérios e outras riquezas como fontes energéticas.
Isto mostra que desde muito os países que viveram estas realidades de pesquisas cósmicas já tinham consciência das possíveis carências minerais e energéticas para a necessária manutenção de seus “status” como nações lideres de um planeta industrializado, dominado por nações consumistas.
As pesquisas espaciais são caras, e ainda esta longe o dia em que a exploração destas riquezas cósmicas possa ser viabilizada economicamente. Por isso, aconteceu que, um dia, depois de terem desenvolvido inúmeras técnicas de investigação à distância possibilitando assim s a investigação precisa das composições minerais até o “Magma Cor” destes corpos celestes perdidos no espaço, perceberam eles, com vantagem, que podiam aplicar do espaço, com muita economia e racionalidade, estas técnicas de investigação à distância, de modo à melhor avaliar o subsolo do planeta, nos seus próprios países e principalmente no subsolo das terras que consideram “terras de ninguém”. Áreas do terceiro mundo.
Hoje as nações de primeiro mundo possuem um conhecimento especializado dos potenciais mineralógicos e energéticos que os colocam numa posição visivelmente vantajosa em relação aos países pobres. Estes últimos, que “possuem”, sem “saber”, ricos territórios, e que, devido às distâncias encontradas no domínio deste conhecimento são uns verdadeiros “ingênuos” nas suas relações comerciais, e, os primeiros, os ricos (G7), por dominarem estas informações, são mal intencionados nas suas relações internacionais. Estabelecem-se assim relações injustas, relações de exploração.
Por isto quero crer que há crime de lesa pátria por parte de nossos governantes facilitando a entrega de nosso rico subsolo. É difícil para eu crer na sua ingenuidade.
O Brasil esta a venda, senhores, por uma bagatela. Não sejamos ingênuos ou omissos. Nós não podemos deixar fugir aos nossos olhos, e alertar, e denunciar as perspectivas inescrupulosas de exploração destes países “ricos” sobre os mais pobres. Hoje o Brasil esta entre os principais alvos. Sempre foi explorado, todavia, nestes tempos modernos, já temos meios conceituais, tecnológicos, jurídicos e publicitários para impor resistência, somos uma nação.
Os grandes, como predadores insaciáveis, sugaram neste século a África, a Índia, a Venezuela e outros países, sem deixar, na verdade, nenhuma contrapartida verdadeiramente cultural, ou melhoria real no padrão de vida, ou ainda, no padrão tecnológico em relação às vantagens obtidas. Sirva-nos a lição. Estas pobres nações, no que diz respeito ao povo, sempre exploradas, continuam sendo subservientes. Enquanto povo, inconsciente de suas riquezas e de seu verdadeiro potencial econômico, continua permitindo este estado de coisas. Os fatos recentes, apenas permitem que povos sofridos conheçam, pelo contraste, a verdadeira miséria em que vivem e reconheçam, tardiamente, a traição de seus governantes.
Reação.
Wallace Requião de Mello e Silva
Etnias ou minorias?
Etnias ou minorias?
Recebi o novo calendário do Banestado. Coincidência ou não, soube ao mesmo tempo em que um dos movimentos negros moveu ação judicial contra o banco. Ato inútil. O texto do novo Calendário é bem esperto.
Explico melhor: O calendário do Banestado comemora as etnias, o Paraná de Todos Nós. A intenção é ótima, genuína, mas concorre para o mesmo erro que já havíamos denunciado em outro artigo, a grave manifestação de certos preconceitos que falsificam a realidade humana e étnica do nosso estado.
Festejam-se as etenias ucraina, polonesa, italiana, japonesa, suíça, árabe, judia, italiana, espanhola, portuguesa (até que em fim) e omite-se a negra e a india. É sempre assim.
Nós já havíamos escrito denunciando que todos os documentos oficiais de divulgação do estado, livros, folders, catálogos turísticos, mapas e cartões postais fazem sempre esta grave omissão.
Tempos atrás, fazendo uma pesquisa sobre a cidade de Curitiba, encontrei no inventário sobre a cidade à época de sua fundação, documento citado no livro do Professor Ernani Straube, que nos informava, que em 1693 em Curitiba possuía uma população de 5.819 pessoas sendo que 4.102 eram brancos e 762 eram negros. Isto significa que perto de trinta por cento da população era negra naquela data.
Encomendei uma quantificação ao IBGE e com a ajuda do Renato Japonês, que é casado com uma negra, obtive os seguintes dados: em Curitiba, numa pesquisa por amostragem domiciliar, realizada em 1995 o IBGE acusa uma população negra de 27.199 e uma parda, miscigenada - mulata, de 484.964 pessoas. Ou seja, temos em Curitiba e região metropolitana mais de quinhentas mil pessoas com raízes negras.
Para o estado do Paraná o IBGE afirma que possuíamos em 1995, 139 mil negros e um milhão novecentos e vinte e seis mil mulatos- pardos. Este número não é nada desprezível. Por isto mesmo é grave a omissão dos documentos oficiais sobre a formação étnica paranaense. Mais grave fica se consideramos que todas as etenias acima citadas, exceção de portugueses e espanhóis, chegaram ao Paraná depois de 1850.
Índios, portugueses, espanhóis e negros são os verdadeiros formadores de nossa nação. Foram eles que enfrentado todas as dificuldades dos 350 anos anteriores à chegada de imigrantes (tão festejados) construíram a nação brasileira.
Onde esta o parque do Portugues? O Parque do Índio?
O negro tem a Praça do Zumbi, mas não o reconhecimento da sua presença marcante e eloqüente, até mesmo pela cor, nos festejos étnicos. Lamento.
Quanto aos índios, o IBGE afirma que são 19.878 no Paraná. A indigenista Luli Miranda confirma que são 2.000 guaranis e 8.000 Kaigangs os índios com que ela trabalhou nestes últimos anos.
Não consegui informação precisa sobre a população indígena à época do descobrimento. Mas o que quero dizer aqui, sobre índios e negros, e que fique bem claro, é uma critica construtiva, um alerta de que índios e negros tiveram, sem sombra de dúvida, uma contribuição muito maior à nossa história e cultura do que os imigrantes (minorias) festejados pelos documentos oficiais.
Ora se os imigrantes chegam, coincidentemente, no século das revoluções culturais, não se pode atribuir a eles o progresso material de nosso estado, posto que, também na Europa, os "progressos" chegavam depois de 1850. Portugueses, negros, índios e mestiços oriundos dentre estas três raças, foram sem a menor dúvida os responsáveis pela verdadeira epopéia histórica paranaense e brasileira.
Wallace Requião de Mello e Silva.
Psicólogo
Escrito há anos.
Recebi o novo calendário do Banestado. Coincidência ou não, soube ao mesmo tempo em que um dos movimentos negros moveu ação judicial contra o banco. Ato inútil. O texto do novo Calendário é bem esperto.
Explico melhor: O calendário do Banestado comemora as etnias, o Paraná de Todos Nós. A intenção é ótima, genuína, mas concorre para o mesmo erro que já havíamos denunciado em outro artigo, a grave manifestação de certos preconceitos que falsificam a realidade humana e étnica do nosso estado.
Festejam-se as etenias ucraina, polonesa, italiana, japonesa, suíça, árabe, judia, italiana, espanhola, portuguesa (até que em fim) e omite-se a negra e a india. É sempre assim.
Nós já havíamos escrito denunciando que todos os documentos oficiais de divulgação do estado, livros, folders, catálogos turísticos, mapas e cartões postais fazem sempre esta grave omissão.
Tempos atrás, fazendo uma pesquisa sobre a cidade de Curitiba, encontrei no inventário sobre a cidade à época de sua fundação, documento citado no livro do Professor Ernani Straube, que nos informava, que em 1693 em Curitiba possuía uma população de 5.819 pessoas sendo que 4.102 eram brancos e 762 eram negros. Isto significa que perto de trinta por cento da população era negra naquela data.
Encomendei uma quantificação ao IBGE e com a ajuda do Renato Japonês, que é casado com uma negra, obtive os seguintes dados: em Curitiba, numa pesquisa por amostragem domiciliar, realizada em 1995 o IBGE acusa uma população negra de 27.199 e uma parda, miscigenada - mulata, de 484.964 pessoas. Ou seja, temos em Curitiba e região metropolitana mais de quinhentas mil pessoas com raízes negras.
Para o estado do Paraná o IBGE afirma que possuíamos em 1995, 139 mil negros e um milhão novecentos e vinte e seis mil mulatos- pardos. Este número não é nada desprezível. Por isto mesmo é grave a omissão dos documentos oficiais sobre a formação étnica paranaense. Mais grave fica se consideramos que todas as etenias acima citadas, exceção de portugueses e espanhóis, chegaram ao Paraná depois de 1850.
Índios, portugueses, espanhóis e negros são os verdadeiros formadores de nossa nação. Foram eles que enfrentado todas as dificuldades dos 350 anos anteriores à chegada de imigrantes (tão festejados) construíram a nação brasileira.
Onde esta o parque do Portugues? O Parque do Índio?
O negro tem a Praça do Zumbi, mas não o reconhecimento da sua presença marcante e eloqüente, até mesmo pela cor, nos festejos étnicos. Lamento.
Quanto aos índios, o IBGE afirma que são 19.878 no Paraná. A indigenista Luli Miranda confirma que são 2.000 guaranis e 8.000 Kaigangs os índios com que ela trabalhou nestes últimos anos.
Não consegui informação precisa sobre a população indígena à época do descobrimento. Mas o que quero dizer aqui, sobre índios e negros, e que fique bem claro, é uma critica construtiva, um alerta de que índios e negros tiveram, sem sombra de dúvida, uma contribuição muito maior à nossa história e cultura do que os imigrantes (minorias) festejados pelos documentos oficiais.
Ora se os imigrantes chegam, coincidentemente, no século das revoluções culturais, não se pode atribuir a eles o progresso material de nosso estado, posto que, também na Europa, os "progressos" chegavam depois de 1850. Portugueses, negros, índios e mestiços oriundos dentre estas três raças, foram sem a menor dúvida os responsáveis pela verdadeira epopéia histórica paranaense e brasileira.
Wallace Requião de Mello e Silva.
Psicólogo
Escrito há anos.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
A memória Vitual.
A memória virtual.
A memória virtual, como é entendida e proposta hoje, muito bem poderia ser chamada de amnésia documental, ou seja, o desvirtuamento tecnológico dos testemunhos documentais da história.
Interessante notar que poucas pessoas entre os profissionais da imprensa se dão conta de que o foto-jornalismo já não é documento, e muito menos é documental. Ou seja, com a digitalização da fotografia e de outros métodos de gravação de imagens, a memória tornou-se virtual, ou seja, a história tornou-se virtual em vez de documental. Com a digitalização estamos promovendo uma total falsificação da História Universal. O ato é revolucionário e proposital. O registro dos acontecimentos recentes e a sistemática digitalização das imagens e dos documentos antigos tornaram-os testemunhos frágeis, passíveis de todo e qualquer tipo de falsificação. Já não servem como prova documental ou jurídica, e tão pouco serve como testemunho histórico. Na técnica proposta e largamente usada podemos vestir Hitler com uma cueca Levi’s, ou ao príncipe da Inglaterra com um uniforme nazista. Quem poderá provar a verdadeira imagem. Fidel Castro joga futebol com o Papa, e Sharon beija Bin Laden. Quem poderá provar se vemos uma mentira ou verdade.
Se uma imagem fala mais do que mil palavras, uma falsa imagem mente mais do que mil mentiras. Deste modo estamos caminhando para o século da mentira total, “O Século Virtual”, onde todos os valores que mantém a cultura ocidental se perderão pela falsificação revolucionaria e proposital da Historia Universal.
Todos sabem que Historia, enquanto ciência, diz respeito ao aparecimento da escrita documental. A transformação dos documentos históricos em “registros virtuais” transforma a História em uma ilusão digital facilmente falsificável.
Uma atitude prudente e contra-revolucionária dos governos, seria criar suas Casas da Memória Municipais e os Arquivos Públicos Regionais, preservando copias indeléveis da documentação histórica original sem tirar do domínio de seus proprietários ou colecionadores os documentos originais. Isso, essa, pulverização da documentação registrada embora os originais permaneçam na posse de seus proprietários, pode impedir que, reunidos em um único local, sejam vitimas de incêndio ou digitalização em massa.. Come aconteceu com o incêndio da Imprensa Nacional, no Rio em 1906, ou no incêndio do arquivo Publico no Paraná e ainda no incendio da Assembleia Legislativa do Paraná. Assim nos parece absolutamente necessária a publicação de um certo numero de exemplares do Diário Oficial em papel, caso contrario nós não poderemos mais recorrer à memoria de fatos administrativos, pois esses serão virtuais.
Cuidado governador,
Wallace Requião de Mello e Silva
Texto & Pesquisa
A memória virtual, como é entendida e proposta hoje, muito bem poderia ser chamada de amnésia documental, ou seja, o desvirtuamento tecnológico dos testemunhos documentais da história.
Interessante notar que poucas pessoas entre os profissionais da imprensa se dão conta de que o foto-jornalismo já não é documento, e muito menos é documental. Ou seja, com a digitalização da fotografia e de outros métodos de gravação de imagens, a memória tornou-se virtual, ou seja, a história tornou-se virtual em vez de documental. Com a digitalização estamos promovendo uma total falsificação da História Universal. O ato é revolucionário e proposital. O registro dos acontecimentos recentes e a sistemática digitalização das imagens e dos documentos antigos tornaram-os testemunhos frágeis, passíveis de todo e qualquer tipo de falsificação. Já não servem como prova documental ou jurídica, e tão pouco serve como testemunho histórico. Na técnica proposta e largamente usada podemos vestir Hitler com uma cueca Levi’s, ou ao príncipe da Inglaterra com um uniforme nazista. Quem poderá provar a verdadeira imagem. Fidel Castro joga futebol com o Papa, e Sharon beija Bin Laden. Quem poderá provar se vemos uma mentira ou verdade.
Se uma imagem fala mais do que mil palavras, uma falsa imagem mente mais do que mil mentiras. Deste modo estamos caminhando para o século da mentira total, “O Século Virtual”, onde todos os valores que mantém a cultura ocidental se perderão pela falsificação revolucionaria e proposital da Historia Universal.
Todos sabem que Historia, enquanto ciência, diz respeito ao aparecimento da escrita documental. A transformação dos documentos históricos em “registros virtuais” transforma a História em uma ilusão digital facilmente falsificável.
Uma atitude prudente e contra-revolucionária dos governos, seria criar suas Casas da Memória Municipais e os Arquivos Públicos Regionais, preservando copias indeléveis da documentação histórica original sem tirar do domínio de seus proprietários ou colecionadores os documentos originais. Isso, essa, pulverização da documentação registrada embora os originais permaneçam na posse de seus proprietários, pode impedir que, reunidos em um único local, sejam vitimas de incêndio ou digitalização em massa.. Come aconteceu com o incêndio da Imprensa Nacional, no Rio em 1906, ou no incêndio do arquivo Publico no Paraná e ainda no incendio da Assembleia Legislativa do Paraná. Assim nos parece absolutamente necessária a publicação de um certo numero de exemplares do Diário Oficial em papel, caso contrario nós não poderemos mais recorrer à memoria de fatos administrativos, pois esses serão virtuais.
Cuidado governador,
Wallace Requião de Mello e Silva
Texto & Pesquisa
Cidades imaginárias do Brasil.
Cidades Imaginárias do Brasil.
Wallace Requião de Mello e Silva.
Logo depois de ter escrito e enviado aos jornais um artigo titulado “Tribo Negra Pré-colombiana”, caiu em minhas mãos o livro de Joanni Langer, “As Cidades Imaginárias do Brasil” editado pela Secretaria de Estado da Cultura. Livro erudito, de autor paranaense que deve ser lido[1].
Não há duvida que seja um texto muito interessante, mas é, a meu ver, influenciado pela leitura psicoanalitica da história, que tenta, também no meu entender, desistimular a esperança arqueológica e a solidez da interpretação do passado, ou no mínimo, enquadrar a arqueologia, enquanto ciência, no discurso psicoanalitico – “mítico e projetivo”, o que é absolutamente estéril, pois reduz o mito, a lenda, base inicial da procura arqueológica a uma exteriorização do desejo individual ou coletivo, como se fora uma fumaça. Cria um conflito entre mito e realidade, relativizando a verdade histórica, o que é péssimo, sobretudo para o estudo religioso. Na verdade esse foi o grande engodo de Freud. O consciente é o mito do inconsciente. O texto fruto de pesquisa em rica e variada bibliografia, despreza, em favor da hipótese levantada pelo autor, a realidade concreta da ciência histórica e arqueológica, fazendo mergulhar a saudável curiosidade humana pelo passado em um relativismo de imagens construídas mentalmente. Isso faz a destruição ou demolição intelectual do contexto dos fragmentos do passado. É uma demolição proposital do passado, para enxertar no presente, agora sim, um novo mito coletivo, o império do símbolo, (a linguagem psicoanalítica) a negação da base história e da fonte dos valores morais humanos.
Bastaria para desmascarar o texto, na sua intenção mais profunda, o estudo arqueológico dos povos de Guairá, hoje reduzidos a ruínas ou soterrados e destruídos pela natureza ou pelo trabalho ambicioso dos homens conforme, muito melhor do que eu pode nos falar Igor Chmyz ou a historiadora Chirtina Kluppel ambos da UFPR. Das treze “míticas” reduções, e vilas espanholas construídas no Paraná, foram encontradas até hoje apenas três vilas espanholas em solo paranaense, e duas reduções jesuíticas. E se persistir a situação atual, poderemos perdê-las para sempre, Restarão apenas os registros escritos. Há muito por fazer. Muita história para revelar ou comprovar.
Poderá parecer ao homem moderno que o passado já esta revelado e que não há mais nada de novo a descobrir, mas vejam que em 17 de agosto de 2004, no Estadão lemos: “Novas ruínas são descobertas na proximidade de Lima no Peru a 2800 metros de altura. Uma área de 90 Km quadrados (1/3 do município de Curitiba) de rico sitio arqueológico composto por torres, muralhas, praças e aquedutos, que se supõem representativos da cultura chachapoya”. É surpreendente.
Mais do que isso, o mito (a história imaginada) da cidade bíblica, a mítica UR da Caldeia de onde teria vindo Abraão, perdida no tempo, permitiu pelo “mito bíblico” a sua localização arqueológica precisa no ano de 1946, por Wooley, ou o Império do rei Mari e sua biblioteca cuneiforme, também descrito na bíblia, descoberto pelo tenente francês Cabane em 1933 quando construía uma estrada de ferro, revelam que ainda há muito mistério arqueológico a ser revelado. O mito (a imaginação dos relatos espanhóis e índios) da cidade proibida do Inca permitiu a descoberta de Machu Picchu, pelo professor Hiran Binghan em 1911 nos Andes. Hoje, arqueólogos italianos descobrem outra civilização enterrada no deserto de Nazca, seguindo pacientemente o mito de um túmulo “inventado” com suas ricas múmias e seus objetos de ouro ou prata, que lá estaria e que lá estava, era verdadeiro, soterrado e concreto. Sim, em Nazca no Peru para quem quiser ver.
Nazca palavra que quer dizer “Origem” ou “Nascimento”, abrindo novas e revolucionarias teses sobre as populações pré-colombianas na América e o seu surgimento antropológico. Eu tive a oportunidade de ir visitar as ruínas em 1988 e também o museu das múmias, que estavam soterradas abaixo de outro tesouro e mistério arqueológico, as linhas e desenhos gigantes de Nasca.
A maior pirâmide do mundo estava também soterrada sobre um Mosteiro Cristão, e todos imaginavam que era uma montanha natural a sua base, e nem, por meio de fotos de satélite teria sido encontrada, não fosse a perseguição perseverante e fantasiosa de um mito, perseguido com diligência por um frei, considerado transloucado.
Copan, a cidade perdida Maia, em Honduras na América Central, foi encontrada, seguindo-se uma lenda indígena. Da mesma forma o “Império Perdido de Angkor Vat” no Cambodja, descoberto pelo caçador de borboletas Henri Mouhout em 1861 foram assim encontradas. Surpreendente.
A epopéia de Thor Heyerdal na ilha da Páscoa em 1950 não foge à regra. As “Ricas Portas de Ishtar” a cidade mítica (lendária), da mesma forma foram encontradas por Koldwey na Babilônia, que viu no mito uma base concreta. Onde há fumaça há fogo, se diz popularmente. A descoberta das dágoras do Ceilão e as ruínas da Mesquita chinesa de Uzbequistão e a estrada dourada de Samarcanda pareciam ser balela, fumaça. Keller em “A Biblia Tinha Razão” nos relata muitas dessas descobertas fundadas na pesquisa de mitos como, por exemplo, a descoberta arqueológica de Jaran e Nejor cidades bíblicas citadas em Gênesis 11, 31 e Gênesis 24, 10 respectivamente. Keller parece nos dizer: “Onde há fumaça há fogo, vale a pena procurar”. Assim foi também na história registrada das descobertas do petróleo.
Do mesmo modo Kaj Birket- Smith nos introduz em um mundo de informações curiosas sobre as ruínas americanas, maias, incas e astecas em seu livro “Historia da Cultura”. Como vemos muitos viajantes antigos devem ter conhecido e testemunhado verbal ou por escrito esses lugares e narrado com imprecisão cientifica ou geográfica esse lugares fantásticos, que podiam parecer, para muitos, invenções. “Estórias de pescador”. Assim foi com Marco Polo, desacreditado, ou Monteiro Lobato. Acusado de mentiroso sobre a existência do petróleo no Brasil.
Mas e as ruínas brasileiras?
Quanto aos mitos de cidades perdidas no Brasil, haveremos de ler o livro de Joanni Langer, e dele copilar a lista de noticias, as pistas, como base inicial e montar pacientemente, ao menos como inicio de investigação, o quebra cabeça histórico, montando um mosaico comparativo e sinóptico, de modo a fazer voar a imaginação e motivar a descoberta concreta, revelando o escondido pelo tempo.
Eldorado; Maiandena a cidade submersa; a cidade abandonada da Bahia; o Império Amazônico de Raleigh; Atlântida na selva, o mito de Fawcet e tantas cidades e noticia histórica como a tribo negra do capitão espanhol que viajava com Cabeza de Vaca, no sul do Brasil, e outras inúmeras possibilidades e estímulo para a leitura e pesquisa de campo.
É um bom começo, para os arqueólogos de fim de semana.
E não esqueça a maioria das descobertas arqueológicas, não acidentais, começaram nas bibliotecas, trabalho paciente de pessoas reordenado fragmentos encontrados em livros. Mitos “imaginários” que se revelaram realidades monumentais.
Wallace Requião de Mello e Silva.
[1] As Cidades Imaginárias do Brasil, Joanni Langer; Secretaria de Estado da Cultura. 1997.
Wallace Requião de Mello e Silva.
Logo depois de ter escrito e enviado aos jornais um artigo titulado “Tribo Negra Pré-colombiana”, caiu em minhas mãos o livro de Joanni Langer, “As Cidades Imaginárias do Brasil” editado pela Secretaria de Estado da Cultura. Livro erudito, de autor paranaense que deve ser lido[1].
Não há duvida que seja um texto muito interessante, mas é, a meu ver, influenciado pela leitura psicoanalitica da história, que tenta, também no meu entender, desistimular a esperança arqueológica e a solidez da interpretação do passado, ou no mínimo, enquadrar a arqueologia, enquanto ciência, no discurso psicoanalitico – “mítico e projetivo”, o que é absolutamente estéril, pois reduz o mito, a lenda, base inicial da procura arqueológica a uma exteriorização do desejo individual ou coletivo, como se fora uma fumaça. Cria um conflito entre mito e realidade, relativizando a verdade histórica, o que é péssimo, sobretudo para o estudo religioso. Na verdade esse foi o grande engodo de Freud. O consciente é o mito do inconsciente. O texto fruto de pesquisa em rica e variada bibliografia, despreza, em favor da hipótese levantada pelo autor, a realidade concreta da ciência histórica e arqueológica, fazendo mergulhar a saudável curiosidade humana pelo passado em um relativismo de imagens construídas mentalmente. Isso faz a destruição ou demolição intelectual do contexto dos fragmentos do passado. É uma demolição proposital do passado, para enxertar no presente, agora sim, um novo mito coletivo, o império do símbolo, (a linguagem psicoanalítica) a negação da base história e da fonte dos valores morais humanos.
Bastaria para desmascarar o texto, na sua intenção mais profunda, o estudo arqueológico dos povos de Guairá, hoje reduzidos a ruínas ou soterrados e destruídos pela natureza ou pelo trabalho ambicioso dos homens conforme, muito melhor do que eu pode nos falar Igor Chmyz ou a historiadora Chirtina Kluppel ambos da UFPR. Das treze “míticas” reduções, e vilas espanholas construídas no Paraná, foram encontradas até hoje apenas três vilas espanholas em solo paranaense, e duas reduções jesuíticas. E se persistir a situação atual, poderemos perdê-las para sempre, Restarão apenas os registros escritos. Há muito por fazer. Muita história para revelar ou comprovar.
Poderá parecer ao homem moderno que o passado já esta revelado e que não há mais nada de novo a descobrir, mas vejam que em 17 de agosto de 2004, no Estadão lemos: “Novas ruínas são descobertas na proximidade de Lima no Peru a 2800 metros de altura. Uma área de 90 Km quadrados (1/3 do município de Curitiba) de rico sitio arqueológico composto por torres, muralhas, praças e aquedutos, que se supõem representativos da cultura chachapoya”. É surpreendente.
Mais do que isso, o mito (a história imaginada) da cidade bíblica, a mítica UR da Caldeia de onde teria vindo Abraão, perdida no tempo, permitiu pelo “mito bíblico” a sua localização arqueológica precisa no ano de 1946, por Wooley, ou o Império do rei Mari e sua biblioteca cuneiforme, também descrito na bíblia, descoberto pelo tenente francês Cabane em 1933 quando construía uma estrada de ferro, revelam que ainda há muito mistério arqueológico a ser revelado. O mito (a imaginação dos relatos espanhóis e índios) da cidade proibida do Inca permitiu a descoberta de Machu Picchu, pelo professor Hiran Binghan em 1911 nos Andes. Hoje, arqueólogos italianos descobrem outra civilização enterrada no deserto de Nazca, seguindo pacientemente o mito de um túmulo “inventado” com suas ricas múmias e seus objetos de ouro ou prata, que lá estaria e que lá estava, era verdadeiro, soterrado e concreto. Sim, em Nazca no Peru para quem quiser ver.
Nazca palavra que quer dizer “Origem” ou “Nascimento”, abrindo novas e revolucionarias teses sobre as populações pré-colombianas na América e o seu surgimento antropológico. Eu tive a oportunidade de ir visitar as ruínas em 1988 e também o museu das múmias, que estavam soterradas abaixo de outro tesouro e mistério arqueológico, as linhas e desenhos gigantes de Nasca.
A maior pirâmide do mundo estava também soterrada sobre um Mosteiro Cristão, e todos imaginavam que era uma montanha natural a sua base, e nem, por meio de fotos de satélite teria sido encontrada, não fosse a perseguição perseverante e fantasiosa de um mito, perseguido com diligência por um frei, considerado transloucado.
Copan, a cidade perdida Maia, em Honduras na América Central, foi encontrada, seguindo-se uma lenda indígena. Da mesma forma o “Império Perdido de Angkor Vat” no Cambodja, descoberto pelo caçador de borboletas Henri Mouhout em 1861 foram assim encontradas. Surpreendente.
A epopéia de Thor Heyerdal na ilha da Páscoa em 1950 não foge à regra. As “Ricas Portas de Ishtar” a cidade mítica (lendária), da mesma forma foram encontradas por Koldwey na Babilônia, que viu no mito uma base concreta. Onde há fumaça há fogo, se diz popularmente. A descoberta das dágoras do Ceilão e as ruínas da Mesquita chinesa de Uzbequistão e a estrada dourada de Samarcanda pareciam ser balela, fumaça. Keller em “A Biblia Tinha Razão” nos relata muitas dessas descobertas fundadas na pesquisa de mitos como, por exemplo, a descoberta arqueológica de Jaran e Nejor cidades bíblicas citadas em Gênesis 11, 31 e Gênesis 24, 10 respectivamente. Keller parece nos dizer: “Onde há fumaça há fogo, vale a pena procurar”. Assim foi também na história registrada das descobertas do petróleo.
Do mesmo modo Kaj Birket- Smith nos introduz em um mundo de informações curiosas sobre as ruínas americanas, maias, incas e astecas em seu livro “Historia da Cultura”. Como vemos muitos viajantes antigos devem ter conhecido e testemunhado verbal ou por escrito esses lugares e narrado com imprecisão cientifica ou geográfica esse lugares fantásticos, que podiam parecer, para muitos, invenções. “Estórias de pescador”. Assim foi com Marco Polo, desacreditado, ou Monteiro Lobato. Acusado de mentiroso sobre a existência do petróleo no Brasil.
Mas e as ruínas brasileiras?
Quanto aos mitos de cidades perdidas no Brasil, haveremos de ler o livro de Joanni Langer, e dele copilar a lista de noticias, as pistas, como base inicial e montar pacientemente, ao menos como inicio de investigação, o quebra cabeça histórico, montando um mosaico comparativo e sinóptico, de modo a fazer voar a imaginação e motivar a descoberta concreta, revelando o escondido pelo tempo.
Eldorado; Maiandena a cidade submersa; a cidade abandonada da Bahia; o Império Amazônico de Raleigh; Atlântida na selva, o mito de Fawcet e tantas cidades e noticia histórica como a tribo negra do capitão espanhol que viajava com Cabeza de Vaca, no sul do Brasil, e outras inúmeras possibilidades e estímulo para a leitura e pesquisa de campo.
É um bom começo, para os arqueólogos de fim de semana.
E não esqueça a maioria das descobertas arqueológicas, não acidentais, começaram nas bibliotecas, trabalho paciente de pessoas reordenado fragmentos encontrados em livros. Mitos “imaginários” que se revelaram realidades monumentais.
Wallace Requião de Mello e Silva.
[1] As Cidades Imaginárias do Brasil, Joanni Langer; Secretaria de Estado da Cultura. 1997.
O texto que você vai ler é uma invenção, um conto.
O Clone de Moisés, e a saga das pesquisas genéticas.
Conto da vida real.
O texto postado aqui, embora sendo um conto podia ser interpretado como uma provocação ao racismo. Também podia ser entendido pelas pessoas que não tenham aprofundamento do tema, como um anti dogmatismo cristão. Sendo assim, eu, Porta Voz do G23, retiro o texto. Fique bem claro que eu não sou judeu, sou católico praticante, militante da Graça, devoto e escravo de Nossa Senhora pelas mãos de São Luiz Maria Monfort. O texto permanece em outro Blog, sob outra ótica, e por outro motivo. Logo que eu reuna mais dados concretos sobre o tema tratado eu o republicarei. Obrigado pela compreensão.
O autor ,
Wallace Requião de Mello e Silva.
Conto da vida real.
O texto postado aqui, embora sendo um conto podia ser interpretado como uma provocação ao racismo. Também podia ser entendido pelas pessoas que não tenham aprofundamento do tema, como um anti dogmatismo cristão. Sendo assim, eu, Porta Voz do G23, retiro o texto. Fique bem claro que eu não sou judeu, sou católico praticante, militante da Graça, devoto e escravo de Nossa Senhora pelas mãos de São Luiz Maria Monfort. O texto permanece em outro Blog, sob outra ótica, e por outro motivo. Logo que eu reuna mais dados concretos sobre o tema tratado eu o republicarei. Obrigado pela compreensão.
O autor ,
Wallace Requião de Mello e Silva.
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